Washington, EUA – A história prova que líderes autoritários adoram usar atletas para higienizar suas atrocidades. Foi assim com Adolf Hitler nas Olimpíadas de Berlim em 1936, e o roteiro macabro se repetiu nesta quinta-feira (5), na Casa Branca. Ao visitar Washington com o time do Inter Miami, o craque argentino Lionel Messi aplaudiu Donald Trump enquanto o presidente dos Estados Unidos se gabava do massacre militar promovido contra o Irã. A cena grotesca escancara a complacência idiota de um dos maiores ídolos do futebol mundial com uma agenda de guerra e destruição.
O evento, que deveria celebrar o título da Major League Soccer (MLS) conquistado pelo clube da Flórida, foi rapidamente sequestrado pela máquina de propaganda de Washington. Trump utilizou a presença de atletas globais, como Messi e o uruguaio Luis Suárez, para discursar sobre os bombardeios ilegais que já mataram mais de 1.230 pessoas no Oriente Médio, incluindo o ataque a uma escola que vitimou dezenas de crianças. O momento em que Messi aplaude Donald Trump, no exato instante em que o político celebra a “demolição do inimigo”, gerou uma onda de indignação e repúdio nas redes sociais.
O vexame quando Messi aplaude Donald Trump
A atitude do jogador provocou reações duras de jornalistas e ativistas ao redor do mundo. A jornalista espanhola Leyla Hamed classificou a cena como bizarra, lembrando que centenas de crianças iranianas foram mortas nos últimos dias. “Trump sabe exatamente o que está fazendo ao usar esses atletas, e eles se deixaram ser arrastados para isso”, escreveu ela, questionando o sentido de ter tanta influência e não usá-la em momentos de crise humanitária. O escritor palestino-americano Ali Abunimah foi ainda mais direto, chamando os presentes de “pessoas vazias e egoístas”.
O esporte nunca foi neutro, mas a subserviência cega de figuras públicas a líderes belicistas é uma mancha indelével em suas biografias. A atitude de Messi serve perfeitamente ao propósito de Trump: misturar proezas atléticas com poderio militar para normalizar a barbárie perante a opinião pública. Ao se deixar usar como garoto-propaganda de um governo que patrocina o extermínio de civis, o capitão da seleção argentina diminui seu próprio legado. O silêncio covarde e os aplausos na Casa Branca provam que a genialidade com a bola nos pés não garante o mínimo de consciência política ou empatia humanitária.






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