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ataques contra Hiran
Capa dos disco ‘Insano’, do rapper Hiran. Foto: Reprodução/Instagram @Hiran
CULTURA & ENTRETENIMENTO

Rap racista e homofóbico surta com a coragem de Hiran

Bastou um álbum para o machismo do rap mostrar a cara

O rapper baiano Hiran, de 31 anos, afirma ter sido alvo de ataques homofóbicos e ameaças de morte após o lançamento do álbum “Imundo”, divulgado na última semana. O disco, composto por 13 faixas, aborda temas como homofobia, xenofobia e as dificuldades dos artistas LGBT+ dentro do rap brasileiro.

Segundo o artista, a reação foi imediata. Em poucos minutos após a divulgação do trabalho, suas redes sociais passaram a receber mensagens de ódio, algumas direcionadas também a familiares.

Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, Hiran relatou que já esperava algum tipo de reação negativa, mas se surpreendeu com a intensidade dos ataques.

“Eu sabia que eu ia receber ataque, porque eu sabia o público que eu estava lidando, mas eu não esperava que ia tomar proporção que tomou. Isso me deixou um pouco assustado”, disse.

Apesar do impacto, ele afirma que a repercussão reforçou sua decisão de seguir produzindo e ampliando o debate. “Agora me sinto muito mais motivado a continuar escrevendo e proporcionando debates, diálogos e mudanças na sociedade, do que só escrever qualquer coisa que eu sinto. E essa é a forma que eu estou reagindo, para não ficar desesperado com os absurdos que eu tenho lido.”

Cena fechada

Natural de Alagoinhas (BA), Hiran iniciou sua trajetória no rap em 2018, com o álbum “Tem Mana no Rap”. Desde o início da carreira, o artista relata dificuldades para se inserir plenamente na cena, especialmente no acesso a apresentações e festivais.

Ao mesmo tempo, teve reconhecimento em outros segmentos da música brasileira, dialogando com nomes como Caetano Veloso, Ivete Sangalo e BNegão. A diferença de recepção aparece no novo trabalho, especialmente na faixa “O Rap Não”.

Após um período voltado ao pop, no qual afirma ter alcançado maior estabilidade financeira, Hiran retorna ao rap com “Imundo”, retomando a linguagem e os temas que marcaram o início de sua carreira. Segundo ele, o disco não foi concebido como uma denúncia planejada, mas como expressão de experiências pessoais.

“Eu não pensei em denunciar nada especificamente quando eu tava fazendo. Eu tava só querendo tirar as coisas que tava entaladas na minha garganta. Eu tava me sentindo desse jeito e eu queria falar sobre isso.”

O artista afirma que o processo foi conduzido de forma intuitiva, sem uma preocupação prévia com a repercussão do trabalho. “Eu não pensei muito no que é que ia sair, no rumo que o disco ia tomar, em qual seria a pauta pra imprensa. Eu estava só fazendo o que eu estava sentindo.”

Reação pública

A repercussão do álbum nas redes sociais incluiu comentários que questionavam a presença do artista no rap e faziam referências à sua orientação sexual. Para Hiran, essa resposta dialoga com os temas abordados no disco.

“Eu acho que um pouco dessa reação do público comprova algumas coisas que eu falo no disco. Comprova a dificuldade que uma pessoa como eu tem de conseguir acessar certo tipo de lugares.”

Segundo o artista, essa dificuldade está diretamente relacionada aos espaços que ele buscou ocupar ao longo da carreira. “E no meu caso, lugares que eu sonhei em estar, em ocupar.”

Espaço aberto

Além do conteúdo das letras, “Imundo” também apresenta elementos visuais e conceituais que dialogam com o tema do trabalho. A faixa de abertura começa com a frase “Eu não vou morrer assim”, que sintetiza o tom do álbum.

Na capa, Hiran aparece coberto por tinta preta. A imagem remete ao conceito do disco e ao sentimento de não pertencimento relatado pelo artista.

O projeto conta ainda com participações de Luedji LunaTássia Reis e Tom Veloso. Para Hiran, a discussão proposta pelo álbum deve ser ampliada para além de sua trajetória individual.

“Eu sei que tem outras pessoas por aí que têm o mesmo sentimento que eu, que têm as mesmas perspectivas que eu sobre esse cenário. Então, esse lugar tem que ser ocupado.”

O artista afirma que essa ocupação não deve se restringir a um único nome, mas envolver outros sujeitos que enfrentam situações semelhantes. “Eu não acho que só por mim, eu acho que por todo mundo que tem uma voz e uma palavra de melhora para o mundo.”

Segundo ele, a proposta não é de confronto, mas de ampliação de espaços de expressão. “A gente não quer nada de ruim, a gente não quer brigar com ninguém, a gente não quer causar violência. A gente só quer que a gente tenha espaço para poder falar sobre o que a gente sente.”

Ele também defende que a produção artística pode contribuir para esse processo quando parte de uma intenção construtiva. “Todo ponto de vista artístico que vem de um lugar de boa vontade é válido. Então, a ocupação é necessária.”

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