A noite da sexta-feira, 14 de fevereiro, na Livraria do Jardim, no Recife (PE), marcou o lançamento do livro Espanador não limpa poeira: memórias e aprendizados de uma empregada doméstica, escrito por Vera Lúcia da Silva. Aos 62 anos, sendo 50 dedicados ao trabalho doméstico, Vera compartilha suas experiências de vida, desde a infância no Engenho Palma, em Sirinhaém (PE), até as violências e superações enfrentadas como empregada doméstica.
A obra de Vera Lúcia é um registro potente da luta e da resistência de mulheres negras que dedicam suas vidas ao trabalho doméstico, muitas vezes invisibilizado e desvalorizado. Sua história expõe as violências estruturais do racismo e da desigualdade social, mas também celebra a resiliência e a dignidade de quem enfrenta essas adversidades. O livro é um convite para refletir sobre a importância de reconhecer e valorizar o trabalho doméstico, além de amplificar vozes historicamente silenciadas.
Vera Lúcia começou a trabalhar aos 12 anos e mudou-se para o Recife aos 14, onde enfrentou privações, acidentes de trabalho e violências. Sua trajetória de superação e luta por dignidade foi transformada em livro com o apoio da psicóloga e professora Wedna Galindo, que a conheceu na UFPE. O título Espanador não limpa poeira remete à sua primeira experiência como empregada doméstica, quando foi acusada de não limpar móveis por falta de conhecimento sobre o instrumento correto. O livro já está à venda por R$ 55, com pagamento via Pix.
A história de Vera Lúcia é um retrato das desigualdades estruturais que atingem principalmente mulheres negras e pobres no Brasil. Enquanto o trabalho doméstico é essencial para a sociedade, ele continua subvalorizado e marcado por relações de exploração. A publicação de Espanador não limpa poeira é um ato de resistência e visibilidade, que desafia a invisibilidade imposta a essas trabalhadoras. É também um chamado para políticas públicas que garantam direitos e dignidade a quem sustenta lares, mas muitas vezes não tem seu próprio lar valorizado.
O lançamento do livro de Vera Lúcia é mais do que um evento literário; é um marco na luta por reconhecimento e justiça social. Sua história nos lembra que por trás de cada espanador, vassoura ou panela, há uma vida de lutas e sonhos. Que sua voz ecoe e inspire mudanças, para que nenhuma trabalhadora doméstica precise mais carregar o peso da invisibilidade. A dignidade é um direito, não um privilégio.
Fonte: Brasil de Fato






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