O longa-metragem O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, teve sua estreia mundial neste domingo (18), no Festival de Cannes, e foi ovacionado com aplausos ininterruptos por 9 minutos. O filme, protagonizado por Wagner Moura, não é apenas uma obra de arte: é um grito político, uma convocação à memória histórica e ao repúdio às heranças da ditadura militar brasileira.
A produção, financiada com recursos públicos via Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e Ministério da Cultura, retrata o impacto da repressão e da perseguição institucional, num momento em que o Brasil ainda tenta curar feridas abertas por anos de autoritarismo e violência de Estado. A estreia em Cannes representa o reconhecimento internacional da potência política do cinema brasileiro.
A delegação brasileira foi composta por atores e membros da equipe técnica, como Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Juliana Paes, Barbara Paz, Isabel Zuaa, Caio Venâncio, a produtora Emilie Lesclaux e o próprio diretor. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, e a secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, também participaram do evento.
A chegada da comitiva ao tapete vermelho foi marcada por uma apresentação de frevo pernambucano — já que o longa é ambientado no Recife da década de 70 —, reunindo orquestra e artistas que levaram a musicalidade brasileira às ruas de Cannes.
Durante o evento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a importância da cultura como instrumento de soberania e enfrentamento da barbárie: “É hora de valorizar quem conta as histórias que muitos tentaram apagar. A cultura é trincheira contra o esquecimento.”
Além do longa, o Brasil promoveu debates sobre coprodução internacional e representatividade negra no cinema, com destaque para o painel “Vozes da Maioria no Cinema”, reforçando a urgência de narrativas plurais e o papel do audiovisual como ferramenta de transformação social.
“Esse é o cinema que não se cala. Que denuncia, que incomoda, que honra as vítimas da repressão e nos obriga a lembrar: nunca mais”, afirmou Camila Pitanga, participante do painel.
[O AGENTE SECRETO: CINEMA COMO MEMÓRIA E LUTA]
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Direção: Kleber Mendonça Filho
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Protagonista: Wagner Moura
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Estreia mundial: Festival de Cannes 2025
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Coprodução: Brasil, Alemanha, França e Holanda
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Financiamento: Fundo Setorial do Audiovisual (Ancine) + MinC
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Temas centrais: Ditadura militar, repressão política, memória, justiça e democracia
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Frase símbolo: “Nunca mais!”
Fonte: Agência Brasil






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