Belém acaba de ganhar um reconhecimento histórico e carregado de identidade cultural: foi oficialmente declarada Capital Mundial do Brega pela ONU Turismo (Organização Mundial das Nações Unidas para o Turismo). O anúncio foi feito nesta sexta-feira (30), em Segóvia, na Espanha, durante a reunião do Conselho Executivo da entidade. A honraria foi entregue ao ministro do Turismo do Brasil, Celso Sabino, que também preside o colegiado internacional.
O título consagra a importância do brega paraense como expressão cultural potente, popular e profundamente enraizada nas periferias da capital do Pará. Para além da música, o brega é símbolo de resistência, afeto e pertencimento de uma população que, por muito tempo, teve sua arte marginalizada pelos grandes centros.
Desde 2021, o brega já é considerado Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado do Pará, e agora alcança visibilidade internacional com a chancela da ONU. O reconhecimento também representa um aceno ao potencial turístico e criativo de Belém, que se prepara para sediar a COP30 em 2025 reforçando sua vocação como polo de cultura, biodiversidade e inovação social.
Com raízes profundas no romantismo tradicional e ramificações modernas como o tecnobrega, o ritmo revelou nomes que ultrapassaram as fronteiras do estado e conquistaram o país, como Pinduca, Joelma, Wanderley Andrade, Gaby Amarantos e Felipe Cordeiro. Esses artistas ajudaram a transformar o brega em um movimento estético, político e musical que dá voz às quebradas, resgata memórias e vibra no batidão das aparelhagens.
[COMPARANDO-SE]
Enquanto o Rio de Janeiro luta para preservar o samba e Salvador firma-se como capital do axé, Belém se projeta globalmente com um gênero nascido das bordas e agora valorizado como produto turístico e identidade nacional. A ONU Turismo reconhece o que o povo da periferia já sabia: o brega é cultura, é arte, é poder popular.
Fonte: Agência Brasil






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