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CULTURA & ENTRETENIMENTO

Multidão em Olinda é o alívio de estar vivo e junto e livre

Sim, Brasil está vencendo o novo fascismo e seu povo se permite o cantar de uma alegria genuína

O frevo tomou de assalto as ladeiras de Olinda neste domingo. Não era fevereiro, mas era carnaval. Uma multidão, estimada em 50 mil almas, se espremeu pelo sítio histórico, tingindo de cor e som o entardecer. Cantavam alto, dançavam como se não houvesse amanhã, numa explosão de alegria que parecia contida há tempo demais. A cena, em sua espontaneidade, é o mais fiel retrato do Brasil de agora. É a prova de que, aos poucos, o trauma do novo fascismo vai sendo vencido.

O que se viu em Olinda não foi apenas uma festa. Foi a antítese de um passado recente. Foi a catarse coletiva de um país que passou anos sob um ar pesado, onde o sorriso era contido e a celebração, um ato de resistência quase clandestino. O fascismo, em sua versão século XXI, não precisou de tanques nas ruas para instalar o medo. Ele se infiltrou nos grupos de família, nas conversas de bar, na desconfiança do vizinho. Ele nos ensinou a sussurrar, a temer a camisa que vestíamos, a duvidar da própria festa.

A felicidade que transbordou pelas ruas de Olinda, portanto, não é a felicidade ingênua de quem ignora os problemas. É a felicidade do alívio. É o corpo coletivo que, após um longo período de contração e medo, finalmente se permite expandir. É a alegria de poder voltar a ocupar o espaço público sem se sentir ameaçado, de poder ser diverso sem ser agredido, de poder cantar em uníssono sem que isso seja um ato de confronto.

O brasileiro está, sim, mais feliz com o que está acontecendo com o país. Não porque os problemas desapareceram num passe de mágica, mas porque a normalidade democrática, a previsibilidade das instituições e a sensação de que há um projeto de futuro, e não de demolição, permitem respirar. Permitem sonhar. Permitem, enfim, dançar um frevo numa tarde de domingo sem outro motivo que não a própria alegria de estar vivo e junto.

Isso não significa que o trauma foi apagado. As cicatrizes permanecem como um lembrete sombrio do abismo que beiramos. A vigília é necessária, pois a semente do autoritarismo continua latente.

Mas a multidão de Olinda não dançou apenas frevo. Ela dançou a sua própria resiliência. O canto não era apenas uma canção. Era a voz de um país que redescobre a alegria de ocupar seu próprio espaço, de ser, em sua plenitude, Brasil. E essa, talvez, seja a maior vitória de todas.


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