Enquanto Donald Trump inaugurava sua nova Guerra Comercial com a delicadeza de um elefante em loja de cristais, Jair Bolsonaro decidiu ser o curinga da incoerência: saiu em defesa do ex-aliado que acabava de taxar o Brasil em 10% (e 25% no aço), chamou Lula de “socialista” por existir e, minutos depois, seu próprio partido, o PL, ajudou a aprovar na Câmara um projeto que autoriza o Brasil a retaliar os EUA. Ou seja: o Mito conseguiu a proeza de ser gado e touro ao mesmo tempo.
A cena que não cabe em 280 caracteres
Trump — Tarifas de 10% pro Brasil! E 34% pra China, porque comunista merece mais!
Bolsonaro — Apoio Trump! Socialistas é que são o problema!
PL — Aprovamos retaliação. Mas foi só pra aparecer, viu? Amamos os EUA, juro!
Ironia em dose cavalar
O mesmo partido que há dois dias chamava Lula de inimigo do agronegócio agora apoia uma lei para proteger o agronegócio das tarifas de Trump. A moral da história? No PL, o princípio é claro: “Se tá contra o PT, a gente vota até em pacto com o capeta”.
E os EUA?
Economistas globais já preveem: recessão nos EUA e inflação mundial. Trump, é claro, respondeu com um Fake News e um meme do Homer Simpson queimando o sofá. Já Bolsonaro, em solidariedade, deve postar foto abraçado um saco de soja taxado em 10%, com a legenda O amor venceu.
Última linha
Enquanto o PL joga xadrez 4D com a soberania nacional, o Brasil aprende uma lição: até o gado sabe quando é hora de fugir do abatedouro. Mas o ex-capitão? Continua mugindo.
Sacissa Pererêgil é uma entidade que bloqueia neoliberal no mesmo ritmo que retuita postagem do STF. Respeitosamente, não segue Trump.






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