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taxa das blusinhas
Kicis, Nikolas e Eduardo Bolsonaro: sendo a favor do Brasil, eles são contra. Fotos: Agência Câmara e Reprodução Youtube
ECONOMIA

Direita atacou, mas taxa das blusinhas salvou 135 mil empregos

Dados da CNI confrontam histeria bolsonarista

A direita brasileira transformou a “taxa das blusinhas” numa espécie de espantalho eleitoral, repetindo que a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 seria um golpe contra os pobres. Mas o levantamento divulgado nesta quarta-feira (22) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) desmonta o discurso: a medida reduziu importações desleais e, com isso, preservou os empregos de mais de 135 mil brasileiros.

Dados da entidade mostram que o imposto evitou R$ 4,5 bilhões em importações, preservou 135,8 mil empregos, injetou R$ 19,7 bilhões no mercado interno e elevou a arrecadação federal de R$ 1,4 bilhão (2024) para R$ 3,5 bilhões (2025). A CNI ainda registrou queda de 10,9% nas encomendas internacionais e redução de 23,4% no volume de remessas no primeiro semestre de 2025, efeito direto da taxação.

Direita atacou por oportunismo político

Desde a implantação, parlamentares bolsonaristas atacaram a medida sem qualquer preocupação com os empregos brasileiros que estavam em jogo. Nikolas Ferreira afirmou que o governo estava “punindo os pobres”; Carla Zambelli disse que o imposto era “cruel”; Bia Kicis acusou o Executivo de “roubar o consumidor”; e Eduardo Bolsonaro insistiu que Lula “odeia quem compra barato”. O problema é factual: todos ignoram que a CNI — entidade historicamente aliada ao empresariado — afirma que a regra corrigiu uma distorção que prejudicava a indústria brasileira.

Segundo o superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra, “o objetivo principal da ‘taxa das blusinhas’ não é tributar o consumidor, mas proteger a economia”. Ele reforçou que importações são bem-vindas, “mas é preciso que entrem no Brasil em condições de igualdade”.

Proteções necessárias e redução de fraudes

A medida integra o programa Remessa Conforme, criado para evitar práticas ilegais como subfaturamento e divisão de pedidos. Antes, empresas estrangeiras conseguiam driblar impostos enquanto produtos nacionais eram tributados normalmente — exatamente o tipo de concorrência desigual que a direita finge não enxergar.

Ao contrário do que afirmaram deputados bolsonaristas, os dados mostram que a taxa não destruiu renda: ela protegeu empregos, aumentou a arrecadação e deu fôlego à produção nacional. A realidade é menos performática do que os vídeos no Instagram, mas muito mais importante para a economia brasileira.

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