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escândalo Master
Guedes, Bolsonaro e Campos Neto: o mercado "acha" o equilíbrio. Fotos: Arquivo/Agência Brasil
ECONOMIA

Quem apoia Bolsonaro tem culpa no Caso Master

Escândalo financeiro foi gerado pelo "liberalismo" econômico

O escândalo do Master não surgiu do nada. Ele é parte de um ambiente político e regulatório moldado no governo Bolsonaro, quando prevaleceu a lógica de que o mercado se autorregula e o Estado deve interferir o mínimo possível. Essa visão, defendida à exaustão pelo então ministro da Economia, Paulo Guedes, abriu espaço para que o Banco Central deixasse correr solto uma operação marcada por alavancagem excessiva e risco sistêmico.

No centro do caso está um banqueiro alinhado à extrema direita e ao centrão, que usou o banco para ampliar ativos de forma criminosa, com consequências que agora recaem sobre a sociedade. O prejuízo coletivo, coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), já chega a R$ 52 bilhões. No Distrito Federal, o dano é ainda mais grave porque envolve dinheiro público. O BRB injetou pelo menos R$ 16 bilhões no Master, o banco quebrou por causa dessa operação e agora precisa de mais R$ 6 bilhões, valor que deverá sair do controlador, o Governo do Distrito Federal.

A conta não para aí. Para levantar recursos, o governo local ainda oferece nove imóveis públicos como garantia em um empréstimo junto ao próprio FGC, enquanto corta gastos da saúde e da educação. O resultado é duplo: socializa-se o prejuízo de uma fraude financeira e, ao mesmo tempo, sacrifica-se o interesse público para cobrir a fatura deixada por uma gestão irresponsável.

A liquidação do Banco Master, decretada em novembro de 2025 pelo Banco Central sob a gestão de Gabriel Galípolo, foi o desfecho de um processo de insolvência e fraudes bilionárias cujas raízes remontam a 2019. O episódio, classificado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o “ovo da serpente” da gestão de Roberto Campos Neto, revela uma sucessão de omissões e falhas de fiscalização que tiveram início no primeiro ano do governo Bolsonaro.

A origem da concessão

O Banco Master não foi uma instituição de geração espontânea. Ele surgiu da transformação do antigo Banco Máxima. Após duas tentativas de transferência de controle rejeitadas durante a gestão de Ilan Goldfajn, o processo obteve celeridade após a posse de Roberto Campos Neto na presidência da autoridade monetária, em fevereiro de 2019.

Em 14 de outubro daquele ano, a Diretoria Colegiada do BC aprovou a transferência do controle para Daniel Vorcaro e dois sócios, decisão publicada no Diário Oficial em 24 de outubro. Embora o rito tenha seguido as normas vigentes do Conselho Monetário Nacional e do próprio Banco Central, o aval ignorou sinais que seriam confirmados anos depois. A rebatização oficial para Banco Master ocorreu em 2021, com foco em crédito consignado e um aporte inicial de R$ 400 milhões.

Alertas ignorados e omissão institucional

Os indícios de irregularidades foram levados ao Banco Central ainda em 2023. O advogado Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital, protocolou denúncia formal relatando operações suspeitas com precatórios sem lastro e a existência de um sócio oculto, o empresário Nelson Tanure.

Em depoimento voluntário à CPI do Crime Organizado na última quarta-feira (18), Timerman foi enfático ao criticar a inércia da autarquia:

“Eu fiz uma denúncia para o Banco Central em 2023 […] se tivessem prestado atenção, teriam evitado”.

Segundo ele, o balanço do Master era inflado artificialmente por meio da compra de ativos desvalorizados que eram revendidos por preços superfaturados, desviando recursos antes mesmo do ingresso contábil na instituição.

Mesmo após a Polícia Federal ter alertado o BC por escrito, em julho de 2024, sobre fraudes e a presença de donos ocultos, a resposta interna da gestão Campos Neto foi o arquivamento das suspeitas, sem submetê-las ao colegiado. Em novembro de 2024, o BC limitou-se a assinar um termo de compromisso com Vorcaro para “correções” — medida que se provou ineficaz diante da magnitude do colapso que se avizinhava.

O colapso e a Operação Compliance Zero

A mudança de postura da autoridade monetária só se concretizou com a troca de comando no Banco Central. Em 18 de novembro de 2025, o atual presidente Gabriel Galípolo decretou a liquidação extrajudicial da instituição por insolvência. No mesmo dia, Daniel Vorcaro foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero.

O desdobramento mais recente ocorreu em março de 2026, com a liquidação do Banco Master Múltiplo, gestor do Will Bank. Os prejuízos, estimados em pelo menos R$ 17 bilhões, expuseram que os ativos do banco estavam inflados e que os balanços que não correspondiam à realidade patrimonial; que havia captação irregular de dinheiro com emissão de CDBs sem lastro real; e, por fim, uma regulação cheia de furos permitiu uma falha sistêmica ao aprovar a livre circulação de controladores com histórico de risco.

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