Dólar
R$ 5.15 Subiu
Euro
5.899 Subiu
Brasília
16°C 26°C 16°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

racismo na Copa
Antes mesmo de a bola rolar, durante o protocolo de início do jogo, Shaun Evans mostrou o símbolo da ideologia racista na plataforma global de transmissão da FIFA. Foto: Reprodução CazéTV
ESPORTES

VAR do ódio: australiano faz gesto racista na Copa

Shaun Evans é alvo de revolta após símbolo de supremacia branca

A estreia da seleção de Curaçao na Copa do Mundo de 2026, neste domingo (14), deveria ser uma celebração da pequena ilha caribenha de 200 mil habitantes desafiar a gigante Alemanha dentro de um campo de futebol. No entanto, a história toda foi ofuscada por uma cena asquerosa vinda diretamente da cabine do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR). Durante a apresentação oficial da equipe de arbitragem, o supervisor australiano Shaun Evans foi flagrado fazendo o gesto dos supremacistas brancos. Trata-se da ideologia baseada na crença de que as pessoas de pele branca são superiores às de outras origens raciais e, por isso, devem dominar a sociedade, a política e a economia.

Nas redes sociais, o clamor por uma investigação da Fifa foi imediato, mas o silêncio da entidade máxima do futebol diante de um racista fardado de autoridade é o que realmente ensurdece.

O episódio ocorreu antes mesmo de a bola rolar para o massacre alemão de 7 a 1 — um placar que, ironicamente, evoca fantasmas brasileiros, mas que desta vez serviu de pano de fundo para a impunidade de Evans. Enquanto a seleção de Curaçao, formada majoritariamente por jogadores negros nascidos na Holanda e liderada pelo volante Juninho Bacuna (batizado em honra ao nosso Juninho Pernambucano), lutava contra a lógica do futebol, o supervisor do VAR usava a vitrine global para sinalizar para a escória da extrema direita.

O silêncio da Fifa e o gol da dignidade

A Fifa, que adora estampar “No to Racism” em braçadeiras de capitão, parece ter perdido a visão periférica quando o preconceito vem de dentro da sua própria estrutura técnica. Shaun Evans, em pé e diante das câmeras, não cometeu um erro de interpretação de regra; ele cometeu um ato de agressão ideológica.

A presença de Curaçao no torneio, fruto da ampliação do número de vagas, deveria ser o símbolo de um futebol mais democrático, mas a atitude do australiano mostra que o futebol é apenas a arena global onde o racismo ainda se cria sem maiores castigos.

Dentro das quatro linhas, o lateral-direito Livano Comenencia chegou a dar esperanças aos caribenhos ao empatar o jogo aos 20 minutos do primeiro tempo. Foi o gol da dignidade de um povo que, apesar de integrar o Reino dos Países Baixos, mantém sua autonomia e sua identidade vibrante. Mas a disparidade técnica, somada ao clima pesado deixado pela arbitragem, transformou a partida em um passeio alemão. Para a Alemanha, sobrou o placar elástico; para Curaçao, sobrou o orgulho de estar lá; e para Shaun Evans, deveria sobrar, no mínimo, o banimento imediato.

Geopolítica do ódio e o calendário da infâmia

O caso de racismo no VAR não pode ser visto de forma isolada. Ele ocorre em um domingo onde o Irã, país bombardeado por um dos anfitriões da Copa, se prepara para entrar em campo sob tensão máxima. A Copa de 2026 está se desenhando como o palco das contradições imperiais, onde o entretenimento tenta camuflar a violência geopolítica e o preconceito estrutural.

Se a Fifa não investigar e punir Shaun Evans, ela estará assinando embaixo do gesto do australiano, confirmando que a “inclusão” de seleções menores é apenas uma fachada para o lucro, enquanto o racismo continua apitando o jogo.

O gesto de Evans é difundido como apito de cachorro entre os racistas. No Brasil, o então assessor especial da presidência da República para assuntos internacionais, Filipe Martins, fez o mesmíssimo gesto durante uma audiência pública no Senado, em plena pandemia, em 2021.

racismo na Copa hoje

Bolsonarista Filipe Martins faz o gesto asqueroso dos racistas em sessão do Senado, em 2021. Foto: Frame TV Senado

Como no Brasil racismo é crime, Martins foi denunciado, julgado e condenado a dois anos e quatro meses de prisão. Não foi a única condenação. Ele era um dos assessores mais próximos do ex-presidente golpista Jair Bolsonaro. E como o chefe, também foi condenado por ter participado do golpe de 2022/2023.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57