O Governo do Distrito Federal decidiu transformar o patrimônio público em moeda de troca para encobrir a maior tragédia financeira de sua história recente. Para garantir o empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e salvar o Banco de Brasília (BRB) do abismo cavado pela associação com o Banco Master, o governador bolsonarista Ibaneis Rocha colocou nove imóveis estratégicos na mesa de penhores. Não se trata de terrenos baldios ou sobras de estoque, mas do coração da máquina pública candanga.
A lista aprovada a toque de caixa pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) é um atestado de desespero. O GDF hipotecou as próprias sedes de empresas fundamentais para o funcionamento da cidade. Estão na guilhotina do FGC o Lote B do SIA, onde opera a Novacap; o Lote F, que abriga a Caesb; e o Lote C, propriedade da CEB. Na prática, o governo colocou o teto das estatais responsáveis pelas obras, pela água e pela energia do DF como fiadoras de um negócio bancário fracassado.
O Centrad e o latifúndio da Terracap
Como se não bastasse entregar a sede das estatais, o Palácio do Buriti incluiu no pacote o Centro Administrativo do GDF (Centrad), localizado em Taguatinga. O complexo, que já é um monumento ao desperdício e à má gestão de sucessivos governos, agora serve como caução para a irresponsabilidade fiscal.
O item mais assustador da lista, no entanto, atende pelo nome de Gleba “A”. Trata-se de uma área colossal de 716 hectares pertencente à Terracap. Para se ter uma ideia da dimensão, é um latifúndio público capaz de abrigar bairros inteiros, hospitais, escolas e parques. Tudo isso foi entregue como garantia. Se o BRB não conseguir honrar o empréstimo bilionário, o FGC tem o direito legal de executar a dívida e tomar esses imóveis. O Distrito Federal corre o risco real de ser despejado de suas próprias instalações.
A conta chega para a população
O valor do socorro, estipulado em R$ 6,6 bilhões, deixa de ser uma abstração matemática quando traduzido para a realidade das ruas. Esse montante bilionário, agora amarrado em garantias imobiliárias, representa anos de investimentos paralisados em infraestrutura, saneamento básico e saúde pública. Enquanto os deputados distritais aprovam a entrega de imóveis para cobrir o rombo deixado por banqueiros e especuladores, a população amarga a precarização dos serviços.
O caso BRB e Banco Master consolida a regra de ouro do fisiologismo brasileiro: os lucros e os bônus das operações financeiras de risco são sempre privatizados entre amigos do poder, mas quando a bomba explode, o prejuízo é rigorosamente socializado. O feirão de imóveis do GDF é apenas o recibo dessa transação imoral.
Conheça a lista do patrimônio que o GDF quer rifar
Para cobrir o rombo bilionário e garantir o empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o Governo do Distrito Federal (GDF) reduziu a lista original e fechou em nove imóveis públicos que serão entregues como garantia.
O patrimônio que está sendo colocado na mesa de negociações para salvar o Banco de Brasília (BRB) após o desastre com o Banco Master pertence ao próprio DF e a estatais estratégicas como Novacap, Caesb, CEB e Terracap.
Aqui está a lista exata dos nove imóveis aprovados no Projeto de Lei nº 2.175/2026:
- SIA/SUL – Área de Serviços Públicos – Lote B: Sede da Novacap.
- SIA – Trecho Serviço Público – Lote F: Propriedade da Caesb.
- SIA – Trecho Serviço Público – Lote C: Propriedade da CEB.
- Gleba “A” (com 716 hectares): Propriedade da Terracap.
- SIA – Trecho Serviço Público – Lote G
- SIA – Trecho Serviço Público – Lote I
- SIA – Trecho Serviço Público – Lote H
- Taguatinga – Qd 3, Conj A, Lote 1: Onde fica o Centro Administrativo do GDF (Centrad).
- SAI/N (antigo lote da PM): No Setor de Áreas Isoladas Norte.






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