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Perícia médica Bolsonaro Papuda
Sala de Estado Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar, a chamada Papudinha, onde Bolsonaro cumpre a pena por golpismo. Foto: RS/Fotos Públicas
BRASIL

Perícia mantém Bolsonaro na Papuda

Saúde do ex-presidente permite pena no cárcere, diz PF

A tentativa da defesa de Jair Bolsonaro de tirá-lo da cadeia usando o argumento de saúde frágil sofreu um duro golpe. A perícia médica da Polícia Federal concluiu que o ex-presidente reúne condições clínicas para continuar preso no Complexo da Papuda, em Brasília. Segundo o laudo, embora necessite de cuidados específicos, Bolsonaro não precisa de internação hospitalar nem de prisão domiciliar.

O documento frustrou a estratégia dos advogados e aliados, que apostavam em um parecer alarmista para pressionar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa era repetir o precedente de Fernando Collor, que obteve o benefício alegando Parkinson. Contudo, a PF foi taxativa: as doenças crônicas estão sob controle.

A Guerra de Narrativas

Mesmo com o revés, a defesa não desistiu. Em nota, os advogados afirmam que o laudo aponta “risco de queda e até de morte” caso o acompanhamento não seja rigoroso. Eles pretendem reiterar o pedido ao STF, alegando que a “Papudinha” (ala onde o ex-presidente está) não oferece a segurança necessária.

Interlocutores de Bolsonaro tentam criar um fato político, argumentando que uma eventual morte no cárcere recairia sobre o Supremo. Entretanto, o laudo da PF esvazia esse discurso ao garantir que o atendimento pode ser feito na unidade prisional.

Violação da Tornozeleira

Vale lembrar que Bolsonaro perdeu o benefício da prisão domiciliar em novembro do ano passado, após tentar violar a tornozeleira eletrônica. Desde então, a defesa busca reverter a decisão alegando piora no quadro de saúde.

O Fator Michelle e Collor

Em janeiro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chegou a questionar Moraes pessoalmente, comparando a situação do marido à de Collor. Na ocasião, o ministro explicou que o caso do ex-presidente alagoano envolvia risco comprovado de queda por doença degenerativa. Agora, o laudo da PF admite “risco potencial de queda”, mas recomenda apenas investigação diagnóstica, sem indicar a soltura.

Próximos Passos

Alexandre de Moraes determinou que a defesa e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem sobre o laudo. Aliados acreditam que a PGR pode ser favorável à domiciliar, mas a decisão final caberá ao STF, agora respaldado por uma perícia técnica que diz: Bolsonaro pode, sim, continuar preso.

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