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patrocínio do BRB ao Flamengo
Ibaneis Rocha, pai do dono da marca Flamengo no DF. Foto: Reprodução Redes Sociais
BRASIL

BRB grita por socorro de um lado e paga ao Flamengo de outro

TCDF entra na jogada para frear a insanidade financeira

O contrato de patrocínio do BRB com o Flamengo voltou ao centro da disputa política em Brasília justamente no momento em que o banco estatal atravessa a pior crise de sua história recente. O deputado distrital Ricardo Vale (PT) acionou o Tribunal de Contas do DF e a Câmara Legislativa para questionar a renovação do acordo, que saltou de R$ 32 milhões para R$ 42,6 milhões e foi prorrogado até março de 2027.

A crítica é direta: faz sentido despejar mais dinheiro em publicidade enquanto o banco enfrenta um rombo bilionário e depende de socorro público para não perder fôlego? Para o parlamentar, não. Ele pede a suspensão imediata dos pagamentos e sustenta que o BRB vive uma situação de fragilidade grave, com prejuízos estimados entre R$ 8 bilhões e R$ 12 bilhões, em operações associadas à compra de ativos do Banco Master.

Há mais. O BRB está a beira do colapso por gestão direta de uma cadeia de comando que tem no topo o governador bolsonarista Ibaneis Rocha. Quem detém as lojas da marca Flamengo no Distrito Federal é o filho de Ibaneis Rocha, que será candidato a deputado distrital em 2026. Esse absurso inexplicável e provavelmente criminoso é o pano de fundo da história.

Patrocínio em meio ao rombo

A renovação do contrato chama atenção não apenas pelo valor, mas pelo contexto. O Governo do Distrito Federal já sancionou lei que autoriza o uso de nove imóveis públicos para recapitalizar o BRB, numa tentativa de impedir o colapso da instituição. Ao mesmo tempo, o banco segue no centro do escândalo envolvendo o Master, que abriu uma crise financeira e regulatória de grandes proporções.

É nesse cenário que o patrocínio ao Flamengo aparece como símbolo de uma gestão que parece desconectada da realidade. Segundo a representação, o novo acordo deixaria de priorizar a marca institucional do BRB para impulsionar o banco digital Nação BRB Fla, reforçando a suspeita de que a publicidade continua sendo tratada como prioridade mesmo com a instituição pedindo resgate.

Crise financeira e risco político

A outra face da história é ainda mais delicada. O contexto do Master elevou a pressão sobre o BRB e alimentou discussões sobre intervenção federal e até federalização do banco. O escândalo expôs o tamanho da exposição da instituição a operações problemáticas e colocou em xeque a capacidade da atual gestão de sustentar decisões de longo prazo.

Ricardo Vale também quer acesso a contratos assinados com clubes desde 2019 e cobra demonstração do retorno financeiro dessas ações. A pergunta que fica é simples: por que insistir num patrocínio milionário quando o banco precisa de capitalização, enfrenta desconfiança regulatória e está sob suspeita por causa das fraudes do Master?

No fim, o caso do Flamengo não é só sobre futebol. É sobre prioridade, responsabilidade com dinheiro público e uma administração que segue tratando crise como se fosse peça de marketing.

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