A imagem é simbólica e marca uma mudança de era. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o Instituto Butantan nesta semana para anunciar um investimento massivo de R$ 1,4 bilhão via Novo PAC. O objetivo é claro: modernizar a infraestrutura, garantir a produção nacional de imunobiológicos e preparar o Brasil para futuras pandemias.
A cena contrasta violentamente com o passado recente. Há poucos anos, o Palácio do Planalto era ocupado por um líder que não apenas cortava verbas da ciência, mas atuava ativamente para sabotar a única saída para a maior crise sanitária do século.
A Memória do Descaso
Enquanto Lula discursa sobre “soberania nacional” e “salvar vidas”, a memória do brasileiro ainda ecoa as frases de Jair Bolsonaro. Em dezembro de 2020, no auge do medo global, o então presidente ironizou a vacina da Pfizer: “Se você virar um jacaré, é problema de você”.
Não foi um caso isolado. Bolsonaro travou uma guerra pessoal contra o próprio Butantan, apenas porque o instituto é ligado ao governo de São Paulo, então comandado por um rival político.
Relembre os ataques de Bolsonaro:
- “Não compraremos”: Em outubro de 2020, Bolsonaro desautorizou seu próprio ministro da Saúde e mandou cancelar a compra da Coronavac, produzida pelo Butantan, chamando-a de “vacina chinesa do João Doria”.
- Associação com AIDS: Em uma live criminosa em outubro de 2021, o ex-presidente mentiu ao dizer que vacinados contra a Covid estariam desenvolvendo a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). O vídeo foi derrubado pelas plataformas por desinformação médica.
- “Imunidade de rebanho”: Enquanto o mundo buscava a vacina, Bolsonaro apostava na contaminação em massa e no “tratamento precoce” com remédios ineficazes, como a cloroquina.
A Virada de Chave
O anúncio de R$ 1,4 bilhão feito por Lula não é apenas uma medida administrativa; é uma reparação histórica. O investimento permitirá a construção de novas fábricas e a modernização do Centro de Produção de Vacinas.
Na prática, o Brasil sai da posição de “pária sanitário”, que duvidava da ciência e escondia cartões de vacina sob sigilo de 100 anos, para retomar seu protagonismo como referência mundial em imunização pública.
A diferença é clara: um governo trata a vacina como gasto e conspiração; o outro, como investimento e vida.






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