SEUL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concluiu uma etapa fundamental de sua política externa na Ásia ao firmar, nesta segunda-feira (23), dez acordos de cooperação com a Coreia do Sul. Recebido com honrarias pelo presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, Lula anunciou a elevação do relacionamento entre os dois países ao patamar de Parceria Estratégica, com um plano de ação concreto para os próximos três anos.
A visita a Seul, que ocorreu logo após a passagem do presidente brasileiro pela Índia, encerra um hiato diplomático. Nenhum chefe de Estado do Brasil visitava a Coreia do Sul desde 2010, quando o próprio Lula esteve no país para a Cúpula do G20. “Esse hiato é incompatível com os vínculos sociais e econômicos existentes entre nossos povos”, destacou o petista.
Os dez acordos assinados abrangem áreas vitais para o desenvolvimento econômico e tecnológico. Entre os destaques estão parcerias em inteligência artificial, semicondutores, exploração de minerais críticos, transição energética, agricultura e saúde. Na área médica, os compromissos envolvem desde a produção de vacinas e medicamentos até pesquisas em genômica avançada. Também foram firmados memorandos específicos entre a Embrapa e instituições coreanas, além de um acordo entre a Polícia Federal e a agência policial sul-coreana para o combate ao crime transnacional.
Economia e retomada com o Mercosul
A Coreia do Sul é, atualmente, o quarto maior parceiro comercial do Brasil na Ásia, com um intercâmbio de US$ 11 bilhões. O Brasil, por sua vez, é o principal destino dos investimentos sul-coreanos na América Latina. Durante o encontro, os líderes também discutiram caminhos para retomar as negociações de livre comércio entre o Mercosul e o país asiático, que estavam paralisadas desde 2021.
O encontro foi marcado por um forte simbolismo político. O presidente Lee Jae-myung fez elogios públicos a Lula, comparando as trajetórias de ambos. “Como ex-operário infantil, o senhor provou com todo o seu corpo que a democracia é a ferramenta mais útil para o desenvolvimento social e econômico”, escreveu Lee nas redes sociais. O líder sul-coreano completou afirmando não ter dúvidas de que “o Brasil prosperará grandemente através da sua retidão, intensidade, desafio indomável e coragem”.
O peso estratégico da parceria
O trabalho acadêmico “Relações econômicas Brasil e Coreia do Sul (2000-2023)”, publicado no repositório da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), e análises históricas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) demonstram que a complementaridade econômica é o grande motor dessa relação. Enquanto o Brasil oferece segurança alimentar e minerais estratégicos, a Coreia do Sul fornece a alta tecnologia e a inovação necessárias para o salto industrial brasileiro.






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