Moraes não tem dúvida sobre culpa dos Brazão no caso Marielle

Flávio Dino destacou gravidade da infiltração de milicianos nas polícias cariocas

Julgamento caso Marielle STF
Chiquinho Brazão foi delatado como mandante do assassinado de Marielle Franco. Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta terça-feira (24) o julgamento histórico dos acusados de planejar e encomendar os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Logo na abertura da sessão da Primeira Turma, o ministro e relator do caso, Alexandre de Moraes, foi categórico ao apresentar seu relatório, afirmando não ter qualquer dúvida de que os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão foram os mandantes do crime que chocou o país há oito anos.

Moraes destacou que o conjunto probatório reunido pela Polícia Federal (PF) é robusto e vai muito além da delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora. O relator detalhou como a motivação do crime esteve ligada a disputas fundiárias e à atuação de milícias na zona oeste do Rio de Janeiro, contrariadas pela atuação política de Marielle. Além dos irmãos Brazão, o STF julga o ex-chefe da Polícia Civil fluminense, Rivaldo Barbosa, apontado como o fiador da impunidade, o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira e o ex-assessor Robson Calixto Fonseca.

Durante os debates, o ministro Flávio Dino ampliou a análise do caso para além do homicídio, ressaltando a gravidade estrutural revelada pelas investigações. Dino apontou que o assassinato escancarou a infiltração profunda do crime organizado e das milícias nas instituições de Estado, especialmente nas forças policiais e na política do Rio de Janeiro, transformando o julgamento em um marco para a defesa da própria democracia brasileira.

Nas galerias da Corte, familiares de Marielle e Anderson acompanharam a leitura do relatório. O sentimento entre os parentes é um misto de alívio pelo avanço judicial e apreensão. Eles cobram a aplicação de penas máximas aos cinco réus, mas alertam que o julgamento não deve encerrar o caso. As famílias exigem que as autoridades continuem as investigações para garantir que nenhum outro braço político ou financeiro que tenha colaborado com o atentado permaneça impune.

Fale conosco