BUENOS AIRES – Javier Milei consolidou sua maior vitória legislativa. O Senado da Argentina aprovou a controversa reforma trabalhista na noite da quinta-feira. A base governista tratorou a oposição peronista. O placar marcou 42 votos favoráveis e 28 contrários. Protestos massivos tomaram as ruas do lado de fora do Congresso. A nova lei altera drasticamente as relações de trabalho no país vizinho. As centrais sindicais chamam de “a reforma escravagista” de Milei.
O governo aplicou uma tática de rolo compressor. O partido A Liberdade Avança acelerou o rito processual. A estratégia sufocou o debate nas comissões. A oposição chamou a manobra de “debate expresso”. A Câmara dos Deputados já havia retirado o polêmico capítulo 44. Esse trecho previa cortes salariais para trabalhadores doentes ou acidentados. Mesmo assim, a espinha dorsal do projeto de precarização sobreviveu.
Fúria peronista e judicialização
O peronismo reagiu com indignação à manobra governista. O senador José Mayans, líder do bloco Províncias Unidas, denunciou o processo. “Violentaram o sistema de tramitação”, acusou. Ele prometeu levar a batalha imediatamente para os tribunais. “Esta lei vai direto para a Justiça porque nasceu mal e termina mal”, declarou. Mayans subiu o tom contra o texto aprovado. “Uma lei gorila feita por gorilas”, disparou.
O senador Mariano Recalde reforçou o ataque da oposição. Ele mirou o novo Fundo de Assistência Trabalhista (FAL). Recalde classificou o mecanismo como um “esquema fenomenal que promove o subsídio de demissões”. O parlamentar alertou para o caos jurídico iminente no país. Segundo ele, o governo “põe em xeque a segurança jurídica quando propõe leis que violam a Constituição”.
A defesa do desmonte
A senadora Patricia Bullrich comandou a defesa do governo. Ela usou a crise econômica histórica como escudo político. “A realidade mostra um mercado de trabalho destruído”, argumentou. Bullrich atacou frontalmente o modelo sindical argentino. Ela prometeu combater a lógica onde “os sindicatos são ricos e os trabalhadores são pobres”.
A líder governista rejeitou qualquer retorno aos programas de assistência. Ela justificou a retirada de direitos como um mal necessário. “Não há nada mais precarizado que isso, que tinham um ‘gerente’ que administrava a pobreza”, concluiu. A sanção da lei representa um divisor de águas na economia argentina.






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