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Dr. Furlan dinheiro vivo Macapá
Dr. Furlan, o "Prefeitão": mala de dinheiro entregue ao motorista. Foto: Prefeitura de Macapá
BRASIL

Mala cheia de dinheiro derruba prefeito bolsonarista

STF afasta Dr. Furlan, de Macapá, após flagrante com carro oficial

Macapá (AP) – O roteiro que levou ao afastamento do prefeito bolsonarista de Macapá, Antônio Furlan (PSD), o Dr. Furlan, tem todos os elementos de um escândalo clássico: carro oficial, dinheiro vivo e um motorista flagrado com a boca na botija. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a saída do chefe do Executivo nesta quarta-feira (4) após a Polícia Federal (PF) capturar imagens do motorista pessoal do prefeito recebendo uma sacola cheia de dinheiro logo após um saque bancário, utilizando o próprio veículo de Furlan.

A cena estarrecedora é o epicentro da segunda fase da Operação Paroxismo. A PF investiga um esquema de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo a construção do Hospital Geral Municipal de Macapá. A obra foi contratada por R$ 69,3 milhões em maio de 2024 e, segundo os investigadores, serviu como duto para desvios em espécie. Além do prefeito, o vice Mário Neto (Podemos) e a secretária de Saúde, Érica Aymoré, também foram afastados de seus cargos por 60 dias.

A engrenagem e o salto partidário

As apurações revelam que o grupo manipulava o processo licitatório para favorecer empresas parceiras. O dinheiro público era então desviado e ocultado por meio de saques em espécie — exatamente como o pacote flagrado no carro do prefeito.

O esquema era alimentado pelo empresário Rodrigo Queiroz, preso na primeira fase da operação, em setembro do ano passado. Com o vácuo no Executivo, o presidente da Câmara de Vereadores, Pedro da Lua (União Brasil), assumiu interinamente a prefeitura.

O flagrante com a sacola de dinheiro atinge Dr. Furlan no momento em que ele tentava alçar voos mais altos. Médico de 52 anos, o bolsonarista foi reeleito com mais de 85% dos votos e vinha em uma escalada de pragmatismo político. Após passar por PTB, Cidadania e Podemos, ele havia acabado de deixar o MDB para se filiar ao PSD, em uma cerimônia pomposa em Brasília ao lado de Gilberto Kassab. Agora, o STF o retira da cadeira para garantir que as provas dos desvios milionários não sejam destruídas.

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