A escalada da guerra no Oriente Médio atingiu em cheio o mercado global de energia e forçou reações imediatas no Brasil e no mundo nesta quinta-feira (12). Com o bloqueio do Estreito de Ormuz e novos ataques do Irã a instalações petrolíferas, o preço do barril superou a marca de US$ 100, levando os Estados Unidos e a Agência Internacional de Energia (AIE) a liberarem reservas estratégicas. No cenário interno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva zerou impostos federais sobre o óleo diesel para conter a crise e frear a especulação denunciada por caminhoneiros.
O impacto global do conflito atingiu proporções históricas. Segundo a AIE, a guerra afeta 7,5% da produção mundial de petróleo, e o trânsito de navios pelo estratégico Estreito de Ormuz caiu mais de 90%. A crise se agravou após o Irã lançar uma nova onda de ataques contra infraestruturas em países do Golfo, incluindo Arábia Saudita, Omã, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.
A reação internacional e a liberação de reservas
Para mitigar o choque de oferta, a AIE autorizou a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas, a maior ação coordenada da história da entidade. O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, confirmou que o país disponibilizará 172 milhões de barris desse total a partir da próxima semana.
Apesar da intervenção sem precedentes, a tensão geopolítica mantém os mercados em alerta. O presidente norte-americano, Donald Trump, classificou a alta dos preços como uma “questão de guerra”, enquanto o Irã ameaça estender seus ataques a centros econômicos e empresas de tecnologia ocidentais na região.
Especulação no Brasil e isenção de impostos
No Brasil, os reflexos da crise internacional já são sentidos nas bombas, gerando revolta no setor de transportes. Lideranças da categoria denunciam que distribuidoras e postos estão usando a guerra como pretexto para aumentos abusivos. O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), Carlos Alberto Litti Dahmer, relatou altas de até R$ 1,50 no litro do diesel. O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, cobrou fiscalização rigorosa de órgãos como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Diante do risco de desabastecimento e inflação, o governo federal agiu para blindar a economia. Em entrevista coletiva, Lula anunciou a decisão de zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o óleo diesel. O presidente justificou que a desoneração temporária visa proteger o transporte de cargas e o agronegócio.
“[As medidas são] para que a gente garanta que essa guerra não chegue ao bolso do motorista, ao bolso do caminhoneiro e, sobretudo, não chegando ao bolso do caminhoneiro não vai chegar ao prato de feijão”, afirmou o mandatário.






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