O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu proibir a entrada no Brasil de Darren Beattie, assessor sênior do governo dos Estados Unidos. A medida drástica eleva o tom da diplomacia brasileira e ocorre logo após o Supremo Tribunal Federal (STF) barrar a tentativa do emissário de Donald Trump de visitar Jair Bolsonaro (PL) — ex-presidente, golpista condenado, líder do neofascismo no Brasil e defensor da tortura e do assassinato — na prisão. A decisão de Lula é uma retaliação direta à suspensão de vistos de autoridades brasileiras por Washington.
A escalada diplomática começou quando o ministro Alexandre de Moraes vetou o encontro na Papuda, alertado pelo chanceler Mauro Vieira sobre o risco de ingerência indevida nos assuntos internos do país. Beattie, um ativista de extrema direita com histórico de ataques ao STF e ligações estreitas com a família Bolsonaro, tentava usar a viagem para realizar uma cúpula política na cadeia. Com a porta da prisão fechada pela Justiça, o Palácio do Planalto foi além e fechou as fronteiras do país para o assessor norte-americano.
A lista de autoridades e o visto de Padilha
A proibição de entrada foi confirmada pelo próprio presidente durante a inauguração de uma ala hospitalar no Rio de Janeiro. Ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Lula explicou a condicionalidade da medida:
“Aquele cara americano que disse que vinha para cá visitar o Jair Bolsonaro foi proibido de visitar, e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu ministro da Saúde que está bloqueado.”
O visto de Padilha e de seus familiares foi revogado pelo governo Trump em 2025, sob a falsa alegação de que o programa Mais Médicos, que trouxe profissionais cubanos ao Brasil, estaria ligado a trabalho forçado. No entanto, a retaliação americana vai muito além do Ministério da Saúde. Mais de vinte autoridades brasileiras tiveram seus vistos cancelados ou suspensos pelos EUA, em uma clara tentativa de intimidação institucional.
A lista de alvos de Washington inclui o advogado-geral da União, Jorge Messias, e a cúpula do Judiciário brasileiro. Entre os ministros do STF com restrições estão o próprio Alexandre de Moraes e sua esposa, além de Flávio Dino, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Edson Fachin e o ex-ministro Luís Roberto Barroso. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também figura na relação de sancionados. A resposta de Lula sinaliza que o Brasil não aceitará passivamente a política de sanções unilaterais e a interferência de extremistas estrangeiros em sua soberania.
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