A transferência às pressas de Jair Bolsonaro (PL) — ex-presidente, golpista condenado, líder do neofascismo no Brasil e defensor da tortura e do assassinato — para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star expôs a dupla face de sua família. Com Bolsonaro internado para tratar uma broncopneumonia bacteriana bilateral, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) começou o dia como porta-voz do boletim médico do pai e se transformou em um conspirador subalterno dos Estados Unidos, atacando o Supremo Tribunal Federal (STF) para defender que o Brasil baixe a cabeça ao império norte-americano.
O líder extremista foi socorrido pelo Samu na manhã desta sexta-feira (13) após apresentar febre alta, queda de saturação de oxigênio, sudorese e calafrios na Papudinha, onde cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado. O ministro Alexandre de Moraes autorizou a visita de familiares, incluindo a esposa Michelle Bolsonaro, mas manteve a proibição de aparelhos eletrônicos e determinou escolta policial 24 horas dentro e fora do hospital.
O porta-voz da submissão
Ao deixar a unidade de saúde onde deixou Bolsonaro internado, Flávio Bolsonaro — aliado das milícias do Rio de Janeiro e que já prestou homenagem a assassinos de aluguel — tentou usar o quadro clínico do pai para forçar um apelo por prisão domiciliar humanitária. No entanto, o roteiro de preocupação familiar rapidamente deu lugar à subserviência internacional. O senador, que é acusado de corrupção, disparou ataques contra Moraes pelo veto à visita de Darren Beattie, assessor de Donald Trump, ao presídio.
Em suas redes sociais, o dono de uma mansão comprada à vista por seis milhões de reais em Brasília acusou o magistrado de “arrumar confusão com os EUA por nada” e culpou o STF por eventuais retaliações tarifárias de Washington contra o Brasil. A postura escancara o alinhamento do clã com interesses estrangeiros, ignorando o alerta do Itamaraty de que a visita do emissário de Trump configurava risco de ingerência nas eleições brasileiras.
Para o pré-candidato do neofascismo à Presidência, a soberania nacional é um detalhe descartável quando se trata de agradar a Casa Branca. A defesa aberta da submissão ao tarifaço americano mostra que, para a extrema direita, o patriotismo termina onde começam os interesses de Donald Trump.






Deixe seu comentário