França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão passaram a dizer nesta quinta-feira (19) que vão contribuir com os esforços dos Estados Unidos e de Israel para reabrir o Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã após o início da guerra. A mudança veio quatro dias depois de esses mesmos países terem recusado participar da operação, o que irritou o líder neofascista, Donald Trump, que reagiu dizendo que não precisaria de “ninguém” para liberar a passagem.
O comunicado conjunto afirma: “Manifestamos nossa disposição em contribuir com os esforços necessários para garantir a passagem segura pelo Estreito. Saudamos o compromisso das nações que estão se empenhando no planejamento preparatório”. A nota, porém, não explica como essa abertura seria feita nem por que a posição mudou tão rapidamente. O contraste é evidente: os mesmos governos que 48 horas atrás diziam não querer entrar na guerra agora passam a sinalizar apoio à operação.
A justificativa pública é a de sempre: a defesa da liberdade de navegação, apresentada como princípio do direito internacional. Só que o argumento soa ridículo quando se olha o ponto de partida da crise. Os Estados Unidos rasgaram o próprio direito internacional ao atacar um país soberano semqualquer motivo, sem autorização da ONU, matar seu líder e submeter a população civil a uma ofensiva que devastou a infraestrutura do país. Ou seja: Washington invoca a lei que ele mesmo aniquilou.
Na prática, a guinada europeia e japonesa também levanta suspeitas sobre a forma como essa mudança foi obtida. A rapidez da reviravolta, somada ao chilique público de Trump após a negativa inicial, sugere que houve alguma forma de chantagem sobre esses governos. O texto não prova isso, mas a sequência dos fatos deixa a pergunta no ar: o que fez países que se recusaram a entrar na guerra há dois dias mudarem de ideia tão depressa?
Enquanto isso, o conflito continua a se espalhar pelo Golfo. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, segue fechado pelo Irã, que diz reagir aos ataques dos EUA e de Israel. A nova nota europeia e japonesa condena as ações iranianas contra embarcações e instalações de petróleo e gás, e afirma: “Expressamos nossa profunda preocupação com a escalada do conflito. Exigimos que o Irã cesse imediatamente suas ameaças, o lançamento de minas, os ataques com drones e mísseis e outras tentativas de bloquear o Estreito à navegação comercial”.

Arte: Empresa Brasil de Comunicação
A crise já pressiona os mercados e eleva o preço do petróleo, com impacto imediato sobre a economia global. Ao mesmo tempo, a contradição política fica cada vez mais exposta: países que se apresentam como defensores da ordem internacional agora aderem a uma guerra iniciada por violações brutais dessa mesma ordem.
Países em ebulição, mercado de energia tenso
Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait relatam ataques iranianos a instalações de energia depois que Israel atingiu o campo no Irã, uma escalada que elevou os preços do petróleo e do gás que chegaram a quase US$ 120 o barril, aumento de mais de 10% em relação à quarta-feira. Após a disparada o preço desceu para US$ 114.
“Israel não fará mais ataques contra o importantíssimo e valioso Campo de Gás de South Pars”, disse Trump em sua plataforma TruthSocial na noite de quarta-feira (18).






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