Londres/Moscou – A escalada da guerra do Irã já provoca um choque direto nos mercados de energia e deve atingir a Europa com força nos próximos dias. De um lado, o golpe iraniano contra a infraestrutura de gás do Catar derrubou parte relevante da oferta global de LNG. De outro, o Kremlin passou a explorar politicamente o impacto desse desequilíbrio, acusando a União Europeia de ter agravado o problema ao romper com a energia russa.
No caso do Catar, a situação é grave. A empresa QatarEnergy confirmou que o ataque iraniano ao complexo de Ras Laffan causou prejuízo de US$ 20 bilhões e destruiu 17% da capacidade de exportação de gás natural liquefeito do país. O CEO Saad al-Kaabi disse que duas linhas de LNG e uma unidade de gás para líquidos foram danificadas. Ele afirmou: “Nem nos meus sonhos mais loucos eu imaginaria que o Catar – o Catar e a região – sofreriam um ataque como esse, especialmente vindo de um país irmão muçulmano no mês do Ramadã, atacando-nos dessa maneira.” Ele, obviamente, não mencionou o fato de o Catar ser aliado dos EUA, que violaram a soberania iraniana com um ataque ilegal.
O impacto vai além do Catar. A empresa pode declarar força maior em contratos de longo prazo com Itália, Bélgica, Coreia do Sul e China, porque a interrupção da produção pode durar de três a cinco anos. Com isso, o mercado europeu já sente o efeito: o preço de referência do gás no continente subiu cerca de 35%, e a cotação pode alcançar € 90 por megawatt-hora, acima dos cerca de € 66 atuais. Há também danos em instalações dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita, além de alta do petróleo acima de US$ 119 por barril.
Rússia ri na cara da Europa
No mesmo tabuleiro, Kirill Dmitriev, enviado de Vladimir Putin, afirmou que a Europa está prestes a enfrentar um “tsunami nos preços do óleo e do gás”. A expressão foi usada em ataque direto à estratégia europeia de afastamento da energia russa.
Dmitriev classificou a postura do bloco como “estupidez estratégica teimosa”, atribuindo a crise à rejeição de petróleo e gás russos. Segundo ele, o conflito no Oriente Médio e a tensão no Estreito de Ormuz apenas aceleram uma vulnerabilidade que já existia desde o corte dos fluxos energéticos da Rússia.
O argumento de Moscou é político, mas encontra eco na realidade do mercado: a crise no Golfo amplia a pressão sobre uma Europa que ainda não encontrou substituto barato e estável para o gás russo. Dmitriev chegou a dizer que, no futuro, a União Europeia poderá até “implorar” por energia russa. A Comissão Europeia, por sua vez, mantém a posição de encerrar completamente as importações de combustíveis fósseis da Rússia até 2027.






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