Teerã – A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de atacar usinas de energia do Irã em 48 horas ampliou a crise no Oriente Médio e provocou resposta imediata de Teerã. O governo iraniano advertiu que, se sua infraestrutura elétrica for atingida, fechará completamente o Estreito de Ormuz até a reconstrução das instalações danificadas.
Trump fez a ameaça em sua rede Truth Social e pediu que o Irã “abra totalmente, sem ameaça, o Estreito de Ormuz, dentro de 48 horas”, sob risco de ver suas usinas “obliteradas”. A mensagem, amplificada pela Casa Branca, foi recebida com críticas de parlamentares, juristas e analistas, que a classificaram como ilegal, incoerente e própria de uma escalada que coloca em risco infraestrutura civil.
A deputada norte-americana Yassamin Ansari disse: “Os Estados Unidos são governados por um tirano maníaco, decidido a destruir este país e o mundo com ele.” Já Kenneth Roth, ex-diretor da Human Rights Watch, questionou a aposta em ameaças e lembrou que a ofensiva de Washington e Tel Aviv contra o Irã alimenta a reação no estreito.
Do lado iraniano, o porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, tenente-coronel Ebrahim Zolfaqari, afirmou que o país tomará medidas “imediatas e punitivas” se sua infraestrutura de combustível e energia for atacada. Ele declarou que o Estreito de Ormuz está sob “controle inteligente” do Irã e que a passagem “será completamente fechada” caso as ameaças sejam executadas.
Resposta iraniana endurece confronto
Zolfaqari também disse que instalações elétricas de Israel, empresas com acionistas norte-americanos e estruturas energéticas de países da região que abriguem bases dos EUA podem virar alvos legítimos. Segundo ele, as forças armadas estão prontas para “destruir completamente os interesses econômicos dos EUA na região do oeste da Ásia”.
A escalada confirma o risco de expansão da guerra para um ponto sensível do comércio global de energia. O Estreito de Ormuz é uma artéria estratégica por onde passa parte importante do petróleo mundial, e qualquer interrupção tem efeito direto sobre preços, abastecimento e estabilidade regional.
Guerra sobre civis e disputa por hegemonia
A crise também expõe o caráter da ofensiva: em vez de conter a violência, Washington intensifica a pressão sobre um país já sob bombardeios e uso de chantagem militar contra infraestrutura civil. A lógica é conhecida: proteger interesses estratégicos sob o discurso de segurança, enquanto empurra trabalhadores e populações inteiras para o centro do conflito.
Na prática, a ameaça contra usinas amplia o risco de uma guerra de maiores proporções, com impacto sobre civis, transporte marítimo e a já instável arquitetura de poder no Oriente Médio. O Irã, por sua vez, sinaliza que não aceitará passivamente ataques a sua base energética e que responderá de forma direta sobre o estreito e os interesses dos EUA e de seus aliados.






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