O Brasil vai lançar na próxima quarta-feira, 25 de março, o caça F-39E totalmente fabricado no país, resultado de um projeto que começou ainda no segundo governo Lula e que apostou, desde o início, na transferência de tecnologia como condição para a compra. O gesto não é apenas simbólico: é a confirmação de uma política de soberania industrial que contrariou a lógica da dependência e abriu caminho para uma indústria de defesa mais forte.
A história começa em 2013, quando o governo brasileiro escolheu a sueca Saab para fornecer os 36 caças que renovariam a frota da Força Aérea Brasileira. A decisão venceu concorrentes poderosos como Boeing e Dassault porque a empresa sueca aceitou abrir tecnologia, permitindo fabricação em solo nacional e participação real de engenheiros, técnicos e empresas brasileiras no desenvolvimento do Gripen F-39E.
Soberania não se compra pronta
A diferença central está justamente aí. Não se tratou de adquirir um pacote pronto, mas de construir capacidade nacional. A transferência de tecnologia não ficou no discurso: ela permitiu que partes importantes da aeronave fossem produzidas no Brasil, entre elas fuselagem, cone de cauda, sistema de frenagem e instrumentos da cabine. Além disso, o processo formou profissionais e consolidou conhecimento técnico dentro da Embraer e da FAB.
Essa escolha teve enfrentamento político. Enquanto outras fabricantes ofereciam aviões já testados, o Brasil optou por um projeto em desenvolvimento justamente porque queria participar da construção do conhecimento, e não apenas consumi-lo. Essa foi a chave para transformar a compra militar em investimento estratégico de longo prazo.
Lula recoloca a defesa no campo do desenvolvimento
O lançamento da próxima quarta-feira, em Gavião Peixoto, em São Paulo, recoloca Lula no centro de uma política que entende defesa como parte do projeto nacional. O caça F-39E é mais do que uma aeronave: é resultado de decisão política, planejamento industrial e aposta na autonomia tecnológica do país.
Em vez de seguir dependente de fornecedores estrangeiros, o Brasil passou a construir capacidade própria com base em cooperação tecnológica. É esse tipo de escolha que separa uma política de soberania de uma simples compra de equipamento. No caso do Gripen, o país não apenas adquiriu um caça; começou a dominar a tecnologia para produzi-lo.






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