Um deputado do PL na Assembleia Legislativa da Bahia decidiu atravessar o limite mais rasteiro da política institucional e despejou racismo em cima de Olívia Santana. Raimundinho da JR chamou a parlamentar de “mulher negra de coração branco” durante discurso de aniversário e despedida da colega, que deixava a Casa para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A frase é ofensiva, absurda e revela exatamente o tipo de racismo travestido de elogio que insiste em circular com naturalidade entre políticos da direita.
A agressão verbal não passou despercebida. Olívia respondeu na hora, com firmeza, desmontando a tentativa patética de suavizar a ofensa. Disse, com toda razão, que é uma mulher negra “de corpo inteiramente negro” e que o coração, no máximo, tem sangue vermelho. A resposta expôs o ridículo da fala do deputado e recolocou o debate no lugar certo: não existe gentileza em racismo.
Racismo com verniz de homenagem
O truque é velho. A direita racista tenta embrulhar insulto em homenagem para fugir da responsabilidade, como se uma frase carimbada de paternalismo apagasse o conteúdo violento da mensagem. Não apaga. “Coração branco” não é elogio. É uma tentativa grosseira de desumanizar a identidade negra, como se a negritude precisasse ser autorizada, suavizada ou filtrada para caber no imaginário do agressor.
Nesse ponto, a fala de Raimundinho da JR não é um deslize isolado. Ela pertence a uma cultura política que naturaliza o racismo e ainda espera aplauso por isso. O deputado, que integra a base de apoio do governador Jerônimo Rodrigues na Alba e é vice-líder do bloco da maioria, falou como quem acha que pode distribuir estereótipos e sair ileso. Não saiu.
A resposta que expõe o agressor
Olívia Santana fez o que se espera de quem conhece a violência desse tipo de ataque: não baixou a cabeça, não aceitou a caricatura e não deixou a frase passar como se fosse elogio mal formulado. A reação dela teve o peso de quem sabe que o racismo brasileiro adora se esconder atrás da formalidade institucional, da piada, do “não foi isso que eu quis dizer”.
Foi racismo, ponto. E foi dito dentro de uma Casa legislativa, no momento em que uma parlamentar negra se despedia para disputar outro mandato. O episódio deveria constranger não apenas o autor da fala, mas todos os que ainda acham que esse tipo de violência pode ser relativizado por laço partidário, cargo ou alinhamento de governo.
Se a política baiana quiser fingir que não viu, o problema continua lá. O que houve na Alba foi mais uma demonstração de que o racismo segue vivo, explícito e desavergonhado — e que ainda conta com parlamentares dispostos a reproduzi-lo em público.






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