Em sua sessão de encerramento, a CPMI do INSS entrou para a história recente do Brasil como uma verdadeira esculhambação. Não pelos gritos, xingamentos e dedos em riste. Mas pelo absurdo: na ânsia pré-eleitoral, o relator, Alfredo Gaspar, recém-filiado ao PL e candidato ao Senado em Alagoas, tenta jogar a roubalheira dos aposentados pra longe do seu verdadeiro pai, o governo Bolsonaro, e varre o escândalo de forma vergonhosa pra debaixo do tapete do presidente Lula.
Gaspar pediu o indiciamento de 212 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, além de nomes como o senador Weverton Rocha, o ex-ministro Carlos Lupi, o lobista Careca do INSS e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Mas o que mais chama atenção não é a robustez da apuração. É o uso abominável da CPI como arma política pela extrema direita, que tenta transformar suspeita em condenação e repetir a velha tática de destruir reputações no grito. No caso de Lulinha, a comissão quebrou sigilos bancário, fiscal e telemático, vasculhou a vida dele e, até aqui, não encontrou absolutamente nada que sustente a narrativa criminosa que tenta empurrar ao público.
A mira é política, não técnica
Segundo o próprio relatório, a tentativa é conectar Lulinha ao Careca do INSS por suposto benefício com passagens de primeira classe e hospedagens de luxo. A formulação é grandiloquente, mas o que aparece no relatório é mais fumaça do que prova concreta. A comissão precisa votar o texto final até sábado, sob risco de encerrar os trabalhos sem parecer aprovado, e a pressa escancara a intenção de fazer política com a CPI antes que o prazo acabe.
Enquanto isso, a base governista deve apresentar um relatório paralelo, tentando puxar para o documento os nomes da direita e os vínculos já expostos em torno do Banco Master. A CPI, que deveria investigar fraudes na Previdência, virou um tabuleiro de guerra eleitoral, em que a extrema direita tenta produzir manchete contra Lula mesmo sem ter levado qualquer elemento sólido contra seu filho.
O teatro da acusação
O detalhe mais revelador é o ambiente em torno do relator. Alfredo Gaspar acaba de se filiar ao PL a convite de Flávio Bolsonaro, justamente no momento em que pede a prisão de Lulinha. A coincidência política fala por si. O colegiado virou espaço de revanche, não de esclarecimento.
Ao propor o indiciamento de Lulinha, Gaspar esconde a verdadeira história, em que as fraudes nasceram no governo Bolsonaro, que os criminosos presos financiaram a campanha de Onyx Lorenzoni, ministro de Bolsonaro responsável pelo INSS, e que foi o governo Lula quem pôs fim as fraudes e devolveu o dinheiro roubado dos aposentados.






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