O pastor Luiz Fernando de Souza anunciou sua saída da Igreja Batista da Lagoinha após 14 anos de atuação, durante um culto em São Leopoldo. Ele afirmou que decidiu deixar a instituição após identificar “injustiças e disparidades chocantes” na gestão financeira da Lagoinha Global, presidida por André Valadão.
Segundo o pastor, há diferença significativa entre os valores pagos à cúpula e a realidade enfrentada por líderes locais. Ele declarou que integrantes da direção recebem até R$ 1 milhão por mês, enquanto pastores em outras unidades são orientados a buscar outras fontes de renda para sustentar suas famílias.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Luiz Fernando afirmou que pastores eram pressionados a repassar até 15% de sua renda à instituição. Ele disse ainda que havia previsão de medidas disciplinares em caso de descumprimento. Também mencionou que líderes considerados vocacionados eram orientados a exercer outras atividades profissionais caso não conseguissem cumprir as exigências financeiras.
Lagoinha, Lagoinha, Lagoinha…
A saída do pastor Luiz Fernando de Souza da Igreja Batista da Lagoinha não é um episódio isolado. Ela expõe, mais uma vez, como determinadas estruturas religiosas operam também como engrenagens de poder político, econômico e simbólico. A Lagoinha, hoje associada à influência de André Valadão, já foi apontada como um dos espaços de maior capilaridade da direita evangélica no país.
Nesse circuito, a igreja não atua apenas como templo: funciona como base de articulação, disciplina interna e projeção pública. É daí que emerge sua relevância política, inclusive para figuras como o deputado federal Nikolas Ferreira, que circula com apoio desse campo religioso e faz dele um dos pilares de sua sustentação pública.
Outro nome frequentemente ligado a essa engrenagem é o pastor Fabiano Zettel, operador financeiro desse ambiente e apontado em investigações como peça central do financiamento de projetos da extrema direita. Zettel foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022.

André Valadão e Nikolas Ferreira no jatinho de Daniel Vorcaro na campanha eleitoral de 2022.
Nesse mesmo eixo, a Lagoinha aparece como parte de uma rede que combina púlpito, dinheiro e influência eleitoral.






Deixe seu comentário