A crise no Estreito de Ormuz segue empurrando o mundo para uma combinação perigosa de alta do petróleo, pressão sobre o comércio e disputa aberta entre potências. Nesta engrenagem, entra também a bravata do neofascista Donald Trump, que estabeleceu para esta segunda-feira (6) o fim do prazo para o Irã “abrir” o estreito, numa tentativa de reforçar a chantagem política em torno de uma rota vital para o abastecimento global.
O tema dominou uma reunião virtual liderada pelo Reino Unido, concluída na quinta-feira, com mais de 30 países. Os Estados Unidos, no entanto, não participaram. O encontro terminou sem solução concreta, apenas com o reconhecimento de que o impasse já atingiu dimensões econômicas e geopolíticas mais amplas. Enquanto isso, os preços do petróleo continuam em alta, e cadeias de suprimento seguem sob pressão.

Preços da gasolina são exibidos em um posto de gasolina em Londres, Reino Unido, em 26 de março de 2026. Os ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã desencadearam um aumento acentuado nos preços globais do petróleo. Foto: Li Ying/Xinhua
Gargalo que paralisa o mundo
Segundo a Organização Marítima Internacional, o estreito, que antes recebia cerca de 130 embarcações por dia, agora tem aproximadamente 20 mil marinheiros retidos em 2 mil navios. A Lloyd’s List Intelligence informou que apenas 292 navios transitaram pelo local entre 28 de fevereiro e 31 de março, sendo que 71% pertenciam ao Irã ou tinham alguma conexão com o país.
O impacto já aparece no bolso e na logística. Os contratos futuros do Brent subiram mais de 6%, chegando a 107,35 dólares por barril, segundo a CNBC. A Amazon vai aplicar sobretaxa de 3,5% sobre custos de combustível e logística nos Estados Unidos e no Canadá a partir de 17 de abril. Na Alemanha, o governo diz que o preço da gasolina oscila até 22 vezes por dia. Na França, cerca de 16% dos postos enfrentam escassez.
Disputa política e risco sistêmico
A tensão não se limita ao petróleo. A ONU alertou que, se a interrupção persistir, a situação pode evoluir para uma crise em cascata com efeitos de longo alcance. China e Paquistão lançaram uma iniciativa de cinco pontos para restaurar paz e estabilidade, enquanto o Conselho de Segurança da ONU deve votar uma proposta do Bahrein para medidas defensivas no estreito.
Do outro lado, a Europa tenta costurar saídas caras, como novos oleodutos e terminais no Mar Vermelho. O Irã, por sua vez, diz que prepara um protocolo para monitorar o trânsito na região e negociar com Omã.






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