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Irã e BeiDou
Maquete do sistema chinês de 35 satélites geoestacionários concluído em 2020. Foto: Xinhua
GEOPOLÍTICA

BeiDou chinês amplia precisão militar do Irã

Substituto do GPS americano melhorou mísseis e drones

Tudo bem que ele não é especialista em assuntos militares, mas o próprio Donald Trump já se declarou surpreso com a imensa capacidade de reação do Irã à ofensiva da aliança neofascista entre EUA e Israel. O que está por trás da eficiência estratégica da Guarda Revolucionária Islâmica que defende o território persa atende pelo nome de BeiDou. Ou BDS, como é chamado na intimidade. Trata-se do sistema de localização da China, inaugurado seis anos atrás, para o qual o Irã fez uma lenta e segura transição nos últimos anos, abandonando o GPS norte-americano.

A aposta do Irã no BeiDou permitiu duas coisas imediatas: a primeira é que o sistema de defesa do país não ficou às cegas, não pode ser desligado pelos agressores norte-americanos. O que leva a segunda coisa: os ataques de mísseis ficaram muito mais precisos, não receberam coordenadas falsas de Israel, como de outras vezes, e o gasto balístico está sendo planejado de forma a não deixar desabastecidas as estações de lançamento.

Eis a razão pela qual o Irã está conseguindo se defender de ataques da aliança neofascista, rechaçar porta-aviões e cruzadores no mar, abater caças que jamais haviam sido derrubados em combate aéreo e controlar, com mísseis e submarinos, o estreito de Ormuz. O mesmo raciocínio também vale para a capacidade de alvejar bases militares e centros de infraestrutura estratégica em Israel e em outros países do Oriente Médio.

Navegação virou arma

A disputa por satélite deixou de ser um tema técnico e passou a integrar o coração da guerra moderna. Hoje, sistemas de posicionamento orientam drones, guiam mísseis e sustentam cadeias de comando e controle. Ao abandonar a dependência do GPS, Teerã reduz sua exposição a bloqueios, degradação de sinal e tentativas de interferência atribuídas a Washington.

Precisão sob fogo

Fontes abertas e análises de defesa indicam que o sistema chinês pode ampliar a precisão de drones e mísseis iranianos em ambientes contestados. Em guerra eletrônica, essa diferença importa. Um pequeno ganho de acurácia pode alterar o resultado de um ataque, a capacidade de resposta e até o custo político imposto ao adversário.

É por isso que o BeiDou pesa tanto na equação. Quanto mais confiável for a navegação, maior a autonomia do Irã para operar em áreas sob pressão militar. Isso ajuda a sustentar uma doutrina baseada em mobilidade, dispersão, ataque de precisão e uso coordenado de plataformas aéreas, navais e terrestres.

China entra na arquitetura da guerra

A adoção do BeiDou também aproxima Teerã de uma infraestrutura crítica controlada por Pequim. Na prática, a China passa a ocupar um espaço sensível na engrenagem militar iraniana, enquanto os Estados Unidos perdem uma alavanca indireta de pressão.

Isso revela algo maior do que uma troca de software ou satélite. Mostra como a disputa geopolítica contemporânea é travada na base tecnológica que sustenta a guerra. Quem domina a navegação por satélite influencia precisão, coordenação e autonomia. E, no caso iraniano, isso pode significar mais capacidade para resistir, retaliar e impor custo a um adversário militarmente superior.

Bebê de seis anos

O BeiDou, ou BDS, ficou pronto em 2020. O sistema de posicionamento global e geolocalização da China nasceu como alternativa ao americano GPS e o russo GLONASS (e posteriormente ao europeu GALILEO, que veio depois). Ele conta com 35 satélites em órbita. O sistema chinês foi o quarto a oferecer cobertura global e é, entre todos, o mais preciso e estável.

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