Além da notória relação com as Organizações Globo, o Banco Master pagou milhões ao Metrópoles e ao colunista de fococa Leo Dias para comprar simpatia da imprensa no meio digital. Os dois veículos são totalmente virtuais, exclusivamente consumidos pelo celular dos usuários. Os repasses ajudam a desenhar uma estratégia de influência que vai muito além da publicidade tradicional e entra no terreno da disputa por narrativa.
Os valores vieram à tona em apurações que apontam que o Master repassou R$ 27 milhões ao Metrópoles, dinheiro que depois teria sido transferido a empresas ligadas à família do ex-senador Luiz Estevão, dono do portal.
Em outra frente, o banco e empresas associadas a Daniel Vorcaro destinaram R$ 12 milhões a Leo Dias. O padrão é o mesmo: irrigar veículos e personagens com forte circulação digital para tentar blindar sua imagem em meio à crise.
Importante sublinhar a constatação óbvia: os ativos do Banco Master eram constantemente criados na base de fraude. O que significa dizer que o dinheiro que irrigou o Metrópoles e o portal Léo Dias é tão “limpo” quanto o que inundou a tesouraria do BRB e quebrou o banco de Brasília.
Imprensa comprada, crise ampliada
O caso expõe uma prática velha com embalagem nova. Em vez de depender apenas de publicidade institucional ou de relações mais discretas com grandes conglomerados, o banco mirou canais com alto alcance em redes sociais e em aparelhos móveis. Num ambiente em que boa parte do público se informa pelo celular, a compra de espaço e simpatia ganha peso político e econômico.
A operação também revela a extensão da rede de poder que cercava o Master. Ao mesmo tempo em que o banco buscava se aproximar de setores da imprensa, acumulava suspeitas e avançava sobre o sistema financeiro com apoio de agentes políticos e empresariais. O resultado é mais um capítulo de uma engrenagem montada para preservar reputação, proteger interesses privados e influenciar o debate público.
Dinheiro, mídia e blindagem
A crise do Master não se limita às fraudes, aos repasses e ao colapso financeiro. Ela escancara como parte da mídia digital pode ser capturada por dinheiro de origem opaca, especialmente quando o objetivo é construir aparência de legitimidade para negócios que já nascem sob suspeita.






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