A carne de burro passou a ganhar espaço na Argentina em meio à alta do preço da carne bovina e ao fracasso das políticas econômicas de Milei. O produto começou a ser oferecido por cerca de 7500 pesos o quilo (cerca de R$ 45), enquanto cortes bovinos já passaram de 25 mil pesos (aproximadamente R$ 150) em parte do comércio.
O tema saiu do mercado e chegou ao debate político. Em discussão no Senado argentino, o ex-deputado Santiago Igón citou a venda de carne de burro para falar da perda de poder de compra e afirmou que o consumo desse produto, na Patagônia, ocorre porque ele custa muito menos do que a carne bovina.
A resposta veio da senadora Vilma Bedia, do La Libertad Avanza, partido de Javier Milei.
“Você vai a um restaurante da capital e pede um bife de burro, realmente é uma especialidade para o povo europeu, é um prato fino”, disse ela.
No mesmo debate, Bedia também descreveu a carne de burro como “espetacular” e citou supostas qualidades nutricionais do produto, como presença de aminoácidos, fósforo, ferro e cálcio. A fala circulou nas redes e passou a acompanhar a repercussão sobre a alta do preço da carne bovina no país.
O avanço desse tipo de oferta ocorre no momento em que a inflação argentina voltou a acelerar. O INDEC informou que o Índice de Preços ao Consumidor subiu 3,4% em março de 2026, acumulou 9,4% no ano e chegou a 32,6% em 12 meses.
A iniciativa é liderada pelo produtor rural Julio Cittadini, responsável pelo projeto “Burros Patagones”. Segundo ele, a procura superou a expectativa inicial. “O estoque previsto para uma semana acabou em menos de dois dias”, afirmou.
“O que colocamos à venda terminou em um dia. Em um dia e meio, já não havia mais nada disponível”.






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