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O novo Desenrola permite usar FGTS para renegociar dívidas. O novo Desenrola pode aliviar famílias sufocadas por juros altos. Foto: FLIA (Imagem gerada por IA)
VIDA

Lula lança plano para aliviar dívidas das famílias

Governo pressiona bancos e promete descontos de até 90%

O governo federal deve anunciar ainda nesta semana a nova etapa do programa Desenrola, agora apelidado de Desenrola 2.0, que vai permitir o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na renegociação de dívidas. A confirmação foi feita nesta segunda-feira (27) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reuniões com banqueiros em São Paulo. A medida é considerada urgente no Palácio do Planalto porque as famílias brasileiras estão endividadas em níveis históricos.

Uso limitado do FGTS para renegociar dívidas

Segundo Durigan, o plano prevê usar parte do FGTS como garantia para abatimento ou quitação de dívidas, mas com limites definidos.

“A limitação que vai ter para garantia do próprio fundo é um percentual do saque. Então é um saque limitado dentro do programa, vinculado ao pagamento das dívidas do programa”, explicou o ministro.

Ele não detalhou valores, mas confirmou que o saque não poderá ultrapassar o montante da própria dívida.

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Dario Durigan, ministro da Fazenda. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O ministro se encontrou com o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, e dirigentes do BTG Pactual, Itaú Unibanco, Santander, Bradesco, Nubank e Citibank. A missão foi fechar os últimos ajustes antes de entregar o desenho final ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foco nas dívidas que mais esmagam os brasileiros

Durigan afirmou que o Desenrola 2.0 pretende enfrentar as dívidas mais destrutivas: cartão de crédito, cheque especial e crédito direto ao consumidor (CDC). São modalidades com juros que chegam a 10% ao mês — terreno fértil para o endividamento interminável.

Para viabilizar os acordos, o programa contará com aporte do Fundo Garantidor de Operações (FGO). O objetivo é garantir segurança às instituições financeiras e permitir que pessoas inadimplentes consigam negociar novamente.

O ministro indicou que o governo espera descontos “amplos”, podendo chegar a até 90%. Ele deu um exemplo direto: uma dívida de R$ 10 mil vira R$ 11 mil em um mês, tornando impossível que famílias com renda média escapem do ciclo.

Programa emergencial

Durigan reforçou que o Desenrola não será uma política recorrente.

“Trata-se de uma medida pontual. As pessoas não devem contar com a recorrência desse tipo de medida”, disse.

O governo prevê beneficiar “dezenas de milhões de pessoas”, superando os números da etapa anterior, que renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas.

Ainda hoje, o ministro se reúne com representantes de grandes petroleiras, mas o foco da agenda segue sendo o alívio imediato para famílias sufocadas pelo crédito abusivo.

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