O queijo Morro Azul, produzido pela Queijos Pomerode, no Vale do Itajaí (SC), acaba de ser coroado como o melhor queijo do mundo no 3º Mundial do Queijo do Brasil. O anúncio, feito nesta segunda-feira (27), confirma que a produção artesanal brasileira tem fôlego para atropelar as tradicionais potências europeias. O queijo catarinense superou 1.900 concorrentes globais, incluindo exemplares suíços e franceses, em uma avaliação conduzida por 300 especialistas.
A iguaria, que faz parte da linha Vermont, é famosa por sua cremosidade extrema e pela icônica cinta de madeira de carvalho que a envolve. Mas o sucesso não é apenas fruto do “tempero” catarinense; o produto é um dos beneficiários do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA). Essa adesão permite que queijos artesanais, muitas vezes barrados por normas sanitárias criadas para favorecer grandes indústrias, possam ser comercializados em todo o território nacional e alcancem vitrines globais.
A vitória do artesanal sobre o industrial
O Morro Azul não é um novato em pódios. Em 2023, já havia sido eleito o melhor queijo da América Latina no World Cheese Awards, na Noruega. Agora, ao conquistar o título mundial em solo brasileiro, o produto de Pomerode escancara a hipocrisia de uma elite nacional que prefere importar queijos caros e sem alma da Europa enquanto ignora a potência do interior do Brasil. A vitória mostra que a qualidade está na pequena produção, e não no agronegócio predatório.
A Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) destacou que a equivalência dos serviços de inspeção estadual e municipal com o Sisbi-POA é o que garante a “segurança” do alimento. Na prática, o que se vê é a resistência dos produtores rurais que conseguem produzir joias gastronômicas reconhecidas internacionalmente.
Soberania alimentar e reconhecimento
O exemplo do Morro Azul aponta para um caminho de soberania e valorização do trabalho local. Juliano Mendes, um dos fundadores da Queijos Pomerode, celebrou a conquista como um marco para o setor. Para a Frente Livre, fica o recado: o melhor queijo do mundo nasce da terra e das mãos de quem produz com cuidado, e não de laboratórios industriais focados apenas no lucro.






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