A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (28/4), duas operações de grande escala que expõem a profundidade da violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil e, em paralelo, desmontam um esquema bilionário de corrupção no Porto do Rio de Janeiro. As ações reforçam a guinada do Governo Federal na reconstrução das instituições de segurança, devastadas nos últimos anos por cortes, sucateamento e aparelhamento político da extrema direita.
Ofensiva nacional contra abuso infantil
A Operação Nacional Proteção Integral IV cumpriu 159 mandados de busca e apreensão e 16 de prisão preventiva, simultaneamente, em todas as unidades da Federação. Ao todo, mobilizou 503 policiais federais e 243 policiais civis de 15 estados, em uma ação articulada internacionalmente no âmbito da Operação Internacional Aliados pela Infância VI, com participação de 15 países das Américas e da Europa.
Segundo a Polícia Federal, a ofensiva integra o Maio Laranja, mês dedicado ao enfrentamento da violência sexual infantojuvenil. Apenas em 2026, mais de 450 foragidos por crimes sexuais já foram presos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país está fortalecendo a capacidade de investigação. “Por ações como esta que nós fortalecemos a PF. Na última semana, anunciamos a contratação de 1.000 novos policiais. Seguimos firmes no enfrentamento ao crime e na proteção da sociedade brasileira”, declarou.
Esquema bilionário no Porto do Rio
A segunda ação do dia, Operação Mare Liberum, revelou a dimensão do saque às finanças públicas promovido por redes empresariais e servidores envolvidos em corrupção aduaneira. A investigação, conduzida pela PF com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público Federal e da Corregedoria da Receita Federal, identificou quase 17 mil Declarações de Importação com indícios de irregularidades entre 2021 e 2026 — um montante que envolve R$ 86,6 bilhões em mercadorias.
Como funcionava o esquema
A investigação mapeou três frentes de atuação da organização. A primeira era o desembaraço direto de mercadorias parametrizadas nos canais vermelho e cinza, ignorando inconsistências e exigências legais. A segunda envolvia o setor de óleo e gás, na modalidade de admissão temporária, com a criação de procedimentos artificiais para liberar embarcações e outros equipamentos sem a devida previsão na legislação aduaneira, favorecendo indevidamente empresas privadas mediante propina.
A terceira frente consistia no recebimento de vantagens indevidas pagas por operadores portuários. Foram identificadas reversões indevidas de penas de perdimento sem respaldo técnico, ausência de cobrança de tributos e multas após o vencimento de prazos legais, redistribuição de processos de servidores íntegros que identificaram irregularidades para integrantes do esquema, garantindo decisões favoráveis, além da cobrança a menor de impostos devidos.
O pagamento de propina era prática corrente e estruturada dentro do esquema, com valores vultosos pagos a servidores públicos, com estimativa total na casa das dezenas de milhões de reais ao longo do período investigado. Após a operação, a Receita Federal anunciou que reforçou o trabalho presencial no Rio de Janeiro com 50 servidores e que está estruturando ações de apoio ao Porto do Rio para manter a fluidez do comércio.
“A relevância do porto para o Estado do Rio de Janeiro é muito significativa. Toda a operação de comércio exterior passa pelo controle aduaneiro da Receita Federal. É um número significativo de suspeitos envolvidos, mas representa uma parcela pequena da nossa equipe hoje. Não se pode contaminar toda a equipe por causa de um pequeno grupo que escolheu um caminho e hoje está sendo punido por isso”, declarou Renato Regal, delegado do Porto do Rio de Janeiro.






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