O prefeito bolsonarista de Surubim, no Agreste de Pernambuco, Cléber José de Aguiar da Silva, conhecido como Chaparral (União Brasil), subiu ao palco da festa junina na noite deste sábado (27) e chamou o cantor bolsonarista Gusttavo Lima de “ladrão”. O motivo: o sertanejo cancelou o show em cima da hora, depois de a prefeitura já ter pagado o cachê de R$ 1,5 milhão.
“A prefeitura contratou, pagou. Foi um dos primeiros artistas a receber”, declarou o prefeito, aos berros, para o público que aguardava a apresentação. “É um ladrão de dinheiro do povo. Gusttavo, para você ser um homem, pega logo e devolve o dinheiro da Prefeitura de Surubim.”
O cancelamento foi ainda mais absurdo porque esta foi a segunda vez que o cantor deixou de cumprir o compromisso no município. O show estava marcado inicialmente para 18 de junho, mas foi adiado a pedido da própria equipe do artista para o dia 27. Mesmo com a nova data, a apresentação não aconteceu.
“Se não quisesse cantar aqui, tinha dito. Ele está faltando com respeito ao nosso povo. Para que foi que você recebeu R$ 1,5 milhão da Prefeitura de Surubim, que está na sua conta? Eu nem conheço uma música de Gusttavo Lima, não sou fã dele. Trouxe porque o povo pediu”, afirmou Chaparral.
Enquanto Surubim ficava sem show, Gusttavo Lima se apresentou normalmente na mesma noite em Caruaru, a 80 quilômetros de distância.
Prefeito de Surubim putíssimo com o Gustavo Lima qie deu atestado de piripiri e faltou ao serviço na data de ontem 🤣🤣🤣🤣🤣🤣
R$ 1. 350. 000 de cachê pro cantor bolsonara, esse foi o valor pago de verbas públicas por um show que nao teve pic.twitter.com/PxjQPuamuR
— Enfermeiro do Orelha 🇧🇷 (@enf_intensiva) June 28, 2026
A direita se devorando
O que torna o episódio ainda mais saboroso é que os dois personagens são do mesmo campo político. Chaparral é prefeito bolsonarista. Gusttavo Lima é cantor bolsonarista, daqueles que falam, não se sabe com que nível de sinceridade, defender “Deus, pátria e família”. Pois bem: um bolsonarista meteu o cacete no outro bolsonarista por causa de dinheiro público.
Não há irmandade ideológica que resista a R$ 1,5 milhão desviado do bolso do contribuinte para uma conta bancária de artista que não cumpre contrato. A direita brasileira, que vive pregando moralidade e responsabilidade fiscal, expõe mais uma vez sua verdadeira face: a hipocrisia. Quando o dinheiro é público, vale tudo — até chamar o aliado de ladrão no meio do palanque.





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