Na Escola Estadual Presidente Castelo Branco, em Paulista (PE), o calor dentro das salas de aula já fez alunos e professores passarem mal, alguns precisando de atendimento médico. A instituição, localizada no bairro da Mirueira, não tem ar-condicionado, e os ventiladores disponíveis não são suficientes para amenizar o desconforto térmico.
Wadilson Santiago, professor de geografia, relata que o calor excessivo causa agitação, irritabilidade e falta de concentração nos alunos. “Eles bebem mais água e pedem para ir ao banheiro com frequência. Alguns até têm crises de ansiedade, com dificuldade para respirar”, diz. Em 2023, uma aluna do oitavo ano passou mal durante uma aula em que os ventiladores foram desligados para reduzir o barulho durante um debate.
Para tentar contornar o problema, algumas aulas são realizadas no pátio, debaixo de duas grandes gameleiras que oferecem sombra. No entanto, a falta de poda regular já causou acidentes, com pedaços das árvores caindo e atingindo professores e alunos.
Marcos Vinícius Tributino da Silva, 17, aluno do terceiro ano, afirma que a instalação de ar-condicionado seria essencial para melhorar o ambiente. “O calor dentro da sala é insuportável, principalmente depois da educação física. Alguns alunos precisam esperar do lado de fora para se refrescar, o que atrasa as aulas”, relata.
Desmatamento e aumento das temperaturas
O professor Santiago aponta que o desmatamento na região contribuiu para o aumento das temperaturas. “Próximo à escola, havia uma mata chamada Mata do Frio, onde se sentia frio ao passar. Com a expansão imobiliária, parte da vegetação foi destruída para dar lugar a prédios”, explica.
Resposta do governo
A Secretaria de Educação de Pernambuco informou que 437 escolas estaduais já estão climatizadas, com mais de 40% dos aparelhos de ar-condicionado instalados na atual gestão. A meta é climatizar todas as 1.063 escolas até o fim de 2024. Além disso, o governo está adequando a infraestrutura elétrica das unidades e instalando subestações de energia. Medidas como a melhoria de forros e janelas também estão sendo adotadas para evitar a fuga térmica.
Enquanto isso, alunos e professores da Escola Presidente Castelo Branco seguem enfrentando o calor, esperando que as promessas de climatização se tornem realidade. A situação é um alerta para a necessidade de investimentos urgentes em infraestrutura escolar, garantindo um ambiente adequado para o aprendizado.






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