O governo dos Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (13) uma nova rodada de tarifas de importação, incluindo uma taxa de 18% sobre o etanol brasileiro. A medida faz parte da estratégia de Trump de aplicar “tarifas recíprocas” contra países que, segundo ele, impõem barreiras injustas a produtos norte-americanos.
O Brasil é um dos principais fornecedores de etanol para os EUA, com exportações de mais de US$ 200 milhões em 2024. A nova tarifa pode prejudicar o setor sucroalcooleiro brasileiro e afetar a balança comercial entre os dois países. Além disso, a medida reflete a política protecionista de Trump, que já havia imposto tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio brasileiros.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) criticou a decisão, destacando que o etanol brasileiro tem atributos ambientais e potencial de descarbonização superiores aos dos EUA. “Não faz sentido falar em reciprocidade”, afirmou a entidade.
Trump justificou a medida alegando que os países precisam pagar o mesmo que cobram dos EUA. O Brasil, por exemplo, cobra 18% de tarifa sobre o etanol importado dos EUA, uma política adotada no governo Lula após a isenção concedida por Jair Bolsonaro em 2022. No entanto, produtos brasileiros, como o açúcar, enfrentam tarifas de até 100% no mercado norte-americano, evidenciando uma assimetria nas relações comerciais.
O governo brasileiro ainda não anunciou medidas de retaliação, mas a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) avalia cenários para uma possível resposta. O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que os EUA mantêm superávit na balança comercial com o Brasil e afirmou: “O Brasil não é um problema para os EUA”.
A decisão de Trump reflete uma postura agressiva e unilateral, que prioriza sanções comerciais em vez do diálogo. Essa estratégia não só prejudica as relações bilaterais, mas também dificulta a transição energética global, já que o etanol brasileiro é um biocombustível mais sustentável.
Enquanto o governo Lula busca fortalecer a cooperação internacional e promover uma governança global mais justa, as políticas de Trump ameaçam a estabilidade econômica e a confiança entre os países.
Com o prazo de aplicação das tarifas ainda em aberto, o Brasil tenta negociar com os EUA antes que as medidas entrem em vigor. No entanto, a postura intransigente de Trump complica as perspectivas de um acordo benéfico.
Enquanto isso, o setor sucroalcooleiro brasileiro se prepara para enfrentar os impactos das novas tarifas, reforçando a necessidade de diversificar mercados e fortalecer parcerias comerciais com outros países, especialmente no âmbito do Brics.
Fonte: Portal Vermelho






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