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BRASIL

18 mil pessoas é pouco público até para jogo de futebol, quanto mais para forçar anistia a golpistas

Bolsonaro e aliados fazem ato no Rio de Janeiro pedindo perdão judicial aos crimes que cometeram contra a democracia brasileira

Apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) se reuniram na manhã deste domingo (16), na orla de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, em um ato convocado pelo ex-presidente para pedir anistia a si mesmo, aos generais presos por tramarem o assassinato do presidente da República e também as pessoas usadas como massa de manobra, instigadas a invadir Brasília e atacar a sede dos poderes nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O protesto ocorre em meio ao avanço das investigações contra Bolsonaro, que pode se tornar réu no Supremo Tribunal Federal (STF) nos próximos dias. Além do ex-presidente, a manifestação contou com a presença de políticos da extrema direita, como os governadores Cláudio Castro (Republicanos-RJ), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Jorginho Mello (PL-SC) e Mauro Mendes (UB-MT), além do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do deputado Nicolas Ferreira (PL-MG) e do pastor Silas Malafaia, um dos organizadores do evento, que, segundo a Polícia Militar do Rio de Janeiro, juntou 18 mil pessoas na Zona Sul da cidade. 

Por volta das 11h30, Bolsonaro discursou e voltou a atacar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de reforçar o pedido de anistia aos golpistas. No carro de som, manifestantes também pediam a saída de Lula e a volta do ex-presidente ao poder, apesar de Bolsonaro estar inelegível até 2030 por decisão da Justiça Eleitoral.

O ato, que interditou parte da Avenida Atlântica, ocorre em um momento estratégico: na próxima semana, o STF analisará a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Bolsonaro. A manifestação também é vista como uma tentativa de mobilizar parlamentares para aprovar um projeto de anistia na Câmara e no Senado.

O golpe frustrado e as condenações

Os atos golpistas de 8 de janeiro foram o maior ataque às instituições democráticas desde o fim da ditadura militar. Convocados por redes bolsonaristas, apoiadores do ex-presidente depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, exigindo um golpe militar para impedir a posse de Lula. As investigações apontam que caravanas de extremistas foram financiadas por empresários alinhados ao bolsonarismo.

Até o momento, 481 pessoas já foram condenadas pelo STF por participação nos ataques. As penas chegam a 17 anos e 6 meses de prisão por crimes como golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e dano qualificado. Outros 542 acordos de não persecução penal foram firmados com acusados que confessaram participação nos atos.

Atualmente, 84 pessoas estão presas preventivamente, 55 cumprem prisão provisória e cinco estão em regime domiciliar. Outros 61 investigados são considerados foragidos.

Além do impacto político, a ofensiva golpista de 8 de janeiro gerou prejuízos financeiros e culturais incalculáveis. Segundo a AdvocaciaGeral da União (AGU), os danos ao patrimônio público somam pelo menos R$ 26,2 milhões.

No Senado Federal, os prejuízos foram estimados em R$ 3,5 milhões. Na Câmara dos Deputados, o valor ultrapassa R$ 3 milhões, enquanto no Palácio do Planalto os danos passam de R$ 9 milhões, incluindo obras de arte destruídas.

A mobilização de Bolsonaro neste domingo reforça a tentativa de reescrever a narrativa sobre o golpe frustrado, pressionando as instituições para proteger aliados e ampliar sua influência política, mesmo estando inelegível.

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