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CIÊNCIA & TECNOLOGIA

Empresa dos EUA diz ter ressuscitado lobos terríveis, extintos há 12 mil anos

Espécie é parecida com os atuais lobos cinzentos, só que muito maiores. Anúncio reabre gigantesco debate sobre bioética

A startup de biotecnologia Colossal Biosciences, sediada nos EUA, anunciou nesta semana o nascimento de três filhotes de lobos-terríveis (dire wolf), espécie extinta há cerca de 12 mil anos. Os animais, batizados de Rômulo, Remo e Khaleesi (em homenagem à personagem do seriado Game of Thrones), seriam os primeiros exemplares “recriados” a partir de fragmentos de DNA antigo extraídos de fósseis preservados nos poços de La Brea, em Los Angeles.  

Os lobos-terríveis, imortalizados na cultura pop pela série Game of Thrones, eram predadores dominantes nas Américas durante a Era do Gelo. A iniciativa faz parte de um projeto ambicioso da empresa, que já havia ganhado destaque por planos de “reviver” mamutes-lanosos.  

Para recriar os animais, os cientistas enfrentaram um obstáculo crítico: o DNA dos lobos-terríveis estava altamente degradado devido às altas temperaturas do piche nos poços de La Brea, onde milhares de esqueletos da espécie foram encontrados.  

Uma equipe internacional de mais de 50 pesquisadores analisou 46 amostras de fósseis e recuperou apenas 0,1% do código genético da espécie. O material viável foi extraído de um dente de 13 mil anos e de um crânio de 72 mil anos.  

A Colossal usou tecnologia de CRISPR para preencher lacunas no DNA dos lobos-terríveis com sequências genéticas de lobos-cinzentos modernos, espécie mais próxima evolutivamente.  

Preservação no piche  

Os poços de La Brea são um sítio paleontológico único, onde o piche (uma forma densa de petróleo) atuou como uma “armadilha natural” por milênios, preservando restos de animais, plantas e até artefatos humanos. O material orgânico, protegido da decomposição, permitiu que fragmentos de DNA sobrevivessem — ainda que em condições precárias.  

Os filhotes e a polêmica  

Os três lobos-terríveis recriados estão sendo mantidos em uma reserva natural não divulgada, e a empresa promete compartilhar atualizações sobre seu desenvolvimento em canais oficiais. A Colossal defende que o projeto é um marco para a “desextinção” de espécies, mas o anúncio reacendeu debates.  

Críticas éticas

Biólogos questionam os impactos ecológicos de reintroduzir espécies extintas em um ecossistema moderno.  

Transparência

A empresa não detalhou como garantirá o bem-estar dos animais ou como evitará riscos de desequilíbrio ambiental.  

Próximos passos  

A Colossal Biosciences já planeja novos projetos de “desextinção”, incluindo o dodô (ave extinta no século XVII) e o tigre-da-tasmânia. Enquanto isso, Rômulo, Remo e Khaleesi, agora com cinco meses, seguem como símbolos de uma fronteira científica que mistura ambição, tecnologia e controvérsia.  

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