Uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 22 motoristas em situação de trabalho análogo à escravidão no Centro de Distribuição do Grupo Zema, conglomerado pertencente à família do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). A fiscalização, realizada em 4 de fevereiro, encontrou jornadas exaustivas de até 19 horas diárias.
O caso expõe graves violações trabalhistas em empresa vinculada a um governador e revela como práticas de terceirização podem ser usadas para burlar direitos trabalhistas. Minas Gerais lidera o ranking nacional de casos de trabalho análogo à escravidão, com 159 dos 745 empregadores na “lista suja” do MTE.
Detalhes da Operação
1. Condições degradantes:
– Jornadas de até 19 horas sem intervalos adequados
– Motoristas dormiam em caminhões com colchonetes de 4cm
– Salários de R$ 2.664,00 base, chegando a R$ 7.000,00 com horas extras abusivas
2. Estrutura de terceirização:
– Serviços prestados pela Cidade das Águas Transportes
– Grupo Zema determinava rotas e prazos exaustivos
– Controle via GPS permitia monitoramento contínuo dos trabalhadores
3. Tentativas de obstrução:
– Empresa obteve liminar para evitar rescisões
– Alegou falta de contraditório, mas auditoria comprovou notificações prévias
– Liminar caducou em 27 de março após ação do MTE
O governador Zema integra o conselho do Grupo Zema e participa de decisões estratégicas. Em 2022, Zema fez declarações polêmicas sugerindo exploração de mão-de-obra em regiões pobres de MG. Uma lei estadual que obriga divulgação da “lista suja” não é cumprida pelo governo mineiro.
Posicionamentos
Cidade das Águas:
– Alega ter cumprido todas as obrigações trabalhistas
– Afirma que fiscalização agiu de forma “arbitrária”
– Diz manter condições adequadas de trabalho
Grupo Zema/Eletrozema:
– Não se manifestou sobre as acusações
– Governador Zema não comentou o caso
Próximos Passos
– Pagamento de verbas rescisórias marcado para 14 de abril
– Caso pode ser incluído na “lista suja” do trabalho escravo
– MPT avalia ações judiciais contra as empresas envolvidas
O caso revela como redes de terceirização podem ser usadas para mascarar relações trabalhistas precárias, mesmo em empresas de grande porte vinculadas a autoridades públicas. A persistência de Minas Gerais no topo da lista de trabalho análogo à escravidão acende alertas sobre a efetividade das políticas estaduais de fiscalização.
Fonte: Brasil de Fato






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