Quando a Operação Sem Desconto foi deflagrada em 13 estados no último dia 23, a promotora Fabiana Giusti teve um déjà vu. Entre 2018 e 2020, ela havia coordenado no Distrito Federal investigações que revelaram um modus operandi quase idêntico ao agora desbaratado em escala nacional:
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Alvo: Aposentados e pensionistas (especialmente idosos)
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Tática: Assinaturas obtidas sob falsos pretextos
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Estrutura: Redes de associações de fachada com rotatividade de dirigentes
A investigação local, iniciada em 2018 com a Operação Strike, revelou um esquema-piloto que antecipava em detalhes o modus operandi nacional: associações fantasmas rotativavam diretorias, falsos corretores obtinham autorizações sob engano, e servidores públicos coniventes vazavam dados sigilosos. “Identificamos um padrão de exploração da boa-fé dos idosos”, explica Giusti, destacando que 72% das vítimas no DF tinham mais de 60 anos – perfil idêntico ao das vítimas do esquema nacional. O caso distrital, que resultou em 17 condenações, mostrou como os criminosos adaptavam táticas: usavam desde o clássico “recadastramento obrigatório” até a abordagem domiciliar com café oferecido para ganhar confiança.
O CASO-PILOTO DO DF
A investigação distrital começou com a Operação Strike (2018), que descobriu:
Provas encontradas:
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763 mil reais desviados por 6 associações
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Fichas de adesão fraudadas
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Dados sigilosos de servidores públicos
Métodos dos golpistas:
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Falsos corretores visitavam vítimas em casa
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Ocultavam cabeçalhos de formulários
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Usavam jargões como “recadastramento obrigatório”
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Priorizavam médicos aposentados (por não verificarem contracheques)
Resultado:
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26 denunciados pelo MPDFT
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17 condenações em 2023
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Um dos condenados (Domingos Sávio de Castro) agora investigado na operação nacional
Fonte: Agência Brasil






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