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BRASIL

Quando o aperto chega, o topo foge: Congresso resiste a cobrar mais dos ricos

Debate sobre imposto no Brasil expõe dificuldade histórica em taxar privilégios e cortar isenções

No Brasil, os ricos seguem se esquivando de contribuir com o Estado. A tentativa recente do governo federal de arrecadar mais por meio de uma medida provisória substituta ao decreto do IOF foi recebida com resistência explícita no Congresso Nacional. A fala do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi direta: “não há compromisso” com a aprovação da medida. Em outras palavras, o parlamento brasileiro reafirma sua fidelidade a interesses que blindam o andar de cima, mesmo diante da necessidade de preservar saúde, educação e aposentadorias.

O governo Lula propôs elevar a arrecadação para evitar cortes mais duros e cumprir o arcabouço fiscal. Em resposta, o presidente da Câmara preferiu defender “cortes estruturais” — que, na prática, significam a possibilidade de reduzir gastos com saúde e educação e desvincular o salário-mínimo das aposentadorias. Uma inversão moral: na hora do ajuste, não se tocam os privilégios, mas empurram-se os mais vulneráveis para o abismo da escassez.


[COMO É CÁ E ACOLÁ] 

Como o Brasil trata seus ricos – e como outros países enfrentam o tema

País Modelo de tributação dos mais ricos Isenções fiscais e benesses Postura do Legislativo
Brasil Baixa tributação sobre renda e lucros; peso maior no consumo R$ 800 bi/ano em renúncias fiscais    Resistente a taxar elite
Noruega Taxação sobre fortunas e grandes heranças Baixo nível de isenções Legisladores apoiam progressividade
EUA Tributação mais severa sobre capital e grandes empresas Isenções vinculadas a contrapartidas Congresso dividido
França Imposto sobre grandes fortunas (retomado em versão reduzida) Incentivos focados em inovação Pressão social forte
Argentina     Criou imposto emergencial sobre grandes patrimônios Poucas isenções estruturais Legislativo polarizado

Enquanto isso, no Brasil, propostas como taxar bets, rever isenções de LCIs e LCAs, cortar 10% em incentivos não constitucionais e até tributar juros sobre capital próprio enfrentam obstáculos de bancada. A Frente Agropecuária, por exemplo, já se manifestou contra mudanças em letras de crédito do setor rural — mesmo com R$ 20 bilhões previstos apenas com o decreto do IOF.

A dificuldade em tributar os mais ricos se soma ao histórico de um país que já contingenciou R$ 30 bilhões neste ano e que mantém a terceira maior taxa de juros reais do mundo. A dívida pública cresce, a máquina pública ameaça paralisar, mas os bilionários seguem sorrindo.

A realidade é clara: quando o ajuste fiscal bate à porta, a elite foge pela janela — e o Congresso segura a porta aberta. Enquanto a taxação do topo não entra no debate com seriedade, o risco de retrocessos sociais seguirá à espreita.

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