O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), cedeu à pressão da bancada bolsonarista e recuou em sua posição sobre a perda do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). Agora, Motta afirma que a decisão será tomada pelo plenário da Câmara, destacando que ele é o órgão legítimo para decidir sobre o futuro da parlamentar. “O plenário é soberano e está acima de cada um de nós. Houve uma confusão, uma precipitação da minha avaliação”, declarou Motta, depois de inicialmente afirmar que a prisão de Zambelli não poderia ser votada devido à condenação já definitiva dela no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na semana passada, Motta havia declarado que “a decisão judicial tem que ser cumprida”, referindo-se à condenação de Zambelli no STF. Ele também explicou que, antes da decisão do Supremo, a Câmara havia dado licença à deputada para que o suplente assumisse o cargo, aguardando o desfecho do processo. “O Supremo antecipou a análise dos embargos e concluiu o julgamento”, disse na ocasião.
O recuo de Motta aconteceu após questionamento do deputado bolsonarista André Fernandes (PL-CE), vice-líder da oposição. Já o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), argumentou que Zambelli optou por fugir do país, destacando que, se estivesse no Brasil, a prisão não teria sido decretada. Farias ainda defendeu que não seria justo pressionar Motta sobre o tema.
Prisões e Mandato
O governo brasileiro está agindo para prender a deputada, que é foragida da Justiça. O embaixador brasileiro na Itália, Renato Mosca, confirmou que Zambelli está na lista de difusão vermelha da Interpol e poderá ser detida a qualquer momento. “As autoridades judiciais italianas acataram o pedido da embaixada”, afirmou Mosca, indicando que ela pode ser presa em breve.
Zambelli, junto com o hacker Walter Delgatti Neto, foi condenada pelos crimes de invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, que também foi assinado por ele. A deputada se licenciou do cargo e fugiu para a Itália, onde possui cidadania.
O STF determinou uma pena de dez anos de prisão para Zambelli, em regime inicial fechado, além de uma multa de dois mil salários mínimos. Zambelli teve seu nome incluído na lista da Interpol como foragida internacional.
[Bolsonaro já abandonou Zambelli]
Em meio à crise envolvendo Carla Zambelli, o ex-presidente Jair Bolsonaro já deixou claro que não apoiará a deputada. Durante uma entrevista, Bolsonaro afirmou que Zambelli não é mais uma aliada de sua base política. Sua postura mudou após as controvérsias envolvendo a deputada, que foi condenada pelo STF e fugiu para a Itália, onde possui cidadania. Mesmo com a proximidade política de Zambelli durante seu governo, Bolsonaro se distanciou publicamente da parlamentar, sinalizando que ela estava sozinha diante das consequências de seus atos.
Fonte: Portal Vermelho






Deixe seu comentário