A cúpula do G7 no Canadá mais uma vez se curvou aos interesses imperialistas e à manipulação descarada de Donald Trump nos bastidores para socorrer seu aliado, Benjamin Netanyahu. Em uma declaração conjunta que beira o cinismo, as sete maiores economias do mundo – EUA, Reino Unido, Canadá, Japão, Alemanha, França e Itália – saíram em “apoio” a Israel no conflito com o Irã. O comunicado não só valida a narrativa de Tel Aviv de que tem “o direito de se defender”, mas também, de forma absurda, rotula o Irã como a “principal fonte de instabilidade e terror na região”, tudo para desviar o foco do genocídio em Gaza.
Essa postura não é apenas uma “declaração de apoio”; é um aval direto para a continuidade do massacre palestino, um atestado de impunidade para as atrocidades cometidas por Israel. A relevância dessa farsa reside na cumplicidade das potências globais com uma política de extermínio, enquanto clamam por “proteção de civis” – frase que soa como piada de mau gosto diante dos mais de 55 mil palestinos mortos, a maioria mulheres, crianças e adolescentes. A insistência na “segurança de Israel” e a histeria sobre a “arma nuclear” iraniana são apenas cortinas de fumaça para justificar o injustificável e proteger o regime de Netanyahu, que está cada vez mais isolado internacionalmente por seus crimes de guerra.
A trama por trás da declaração
A declaração do G7, assinada em 16 de junho, é um manual de como a diplomacia pode ser usada para legitimar a barbárie. O texto, que supostamente busca uma “solução” para a “crise iraniana”, na verdade, é um grito de socorro para Netanyahu, orquestrado por um Trump desesperado para manter sua influência global e, de quebra, dar um fôlego ao seu parceiro ideológico. Enquanto Gaza é reduzida a escombros e sua população definha sob um bloqueio brutal de alimentos, medicamentos e água, o G7 se preocupa com a “estabilidade do mercado internacional de energia”. É a prova de que, para essas potências, lucro vale mais que vida humana.
A hipocrisia se aprofunda quando o comunicado, em uma manobra descarada, pede um “cessar-fogo em Gaza”, como se o genocídio promovido por Israel não fosse a principal questão a ser abordada. O conflito, intensificado após o ataque do Hamas em outubro de 2023, resultou em números estarrecedores de mortes palestinas, que contrastam drasticamente com as 17 vidas israelenses perdidas e as 220 no Irã. Essa assimetria chocante é ignorada em nome de uma narrativa conveniente.
O Irã, por sua vez, exige a responsabilização de Israel, citando normas internacionais e resoluções da ONU que condenam ameaças a instalações nucleares pacíficas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, não hesitou em classificar Israel como “o mais maligno dos regimes de ocupação” e cobrou uma postura concreta dos países-membros da ONU.
[A Farra de Trump e Netanyahu]
A relação entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu sempre foi marcada por uma aliança ideológica e política de conveniência. Trump, durante sua presidência, desmantelou acordos internacionais, como o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) com o Irã, e transferiu a embaixada dos EUA para Jerusalém, legitimando a ocupação israelense. Netanyahu, por sua vez, encontrou em Trump um aliado incondicional para suas políticas expansionistas e de opressão contra os palestinos. A atual manobra no G7 reflete essa simbiose: Trump, mesmo fora da presidência, continua a influenciar decisões globais para proteger Netanyahu, que enfrenta crescente pressão interna e externa por sua política genocida em Gaza. É uma dança macabra que põe em risco a paz mundial e desdenha dos direitos humanos em nome de interesses escusos.
Fonte: Brasil de Fato






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