A elite militar internacional parece estar em êxtase. Em grupos de discussão na internet e nos aplicativos de celular, passaram as últimas horas se declarando muitíssimo bem impressionados com a batizada “Operação Leão Ascendente”, a investida de Israel contra o Irã. Segundo dizem, trata-se da mais “sofisticada, audaciosa e cirúrgica da história da humanidade”. Segundo esses gurus da guerra, Israel teria atingido mais de 200 alvos simultaneamente – de instalações nucleares a residências de cientistas – a mais de 1.500 km de distância, driblando sistemas de defesa de ponta e sem sofrer baixas. É o puro suco da ficção científica militar, com F-35I Adir, drones Harop e mísseis hipersônicos agindo em “coordenação perfeita”.
Mas por trás de toda essa pirotecnia e do deslumbramento tecnológico, a Frente Livre questiona: por que louvor a uma ação que serve apenas para escalar tensões no Oriente Médio e reforçar a lógica da guerra? Enquanto a máquina de propaganda gira para celebrar uma “destruição cirúrgica massiva sem causar genocídio acidental” no Irã, o mundo assiste, há meses, ao genocídio explícito e indiscriminado que Israel promove contra o povo palestino em Gaza. Que perguntem aos mais de 55 mil mortos em Gaza, a maioria mulheres e crianças, se eles conhecem essa tal “precisão cirúrgica” ou o “dano colateral mínimo” defendido pelos estrategistas de gabinete.
O papel obscuro do Mossad
A narrativa de “operação preventiva” é o verniz que encobre a agressão. Essa tal “furtividade absoluta”, em que “nem Irã, nem Rússia, nem China, nem EUA” souberam da extensão do ataque, parece mais roteiro de filme de espionagem do que realidade. E a “neurocirurgia” do Mossad, com infiltrações, sabotagens, eliminações de cientistas e a “quase cinematográfica” atuação de colaboradores internos, só ressalta a lógica de operações secretas que minam a soberania de nações e alimentam a instabilidade regional. É o imperialismo agindo nas sombras, desestabilizando governos e criando o caos para justificar novas intervenções.
Enquanto a “guerra cibernética” paralisou defesas e comunicações iranianas com “tecnologias avançadas nunca antes vistas em um teatro de guerra real”, a verdadeira “batalha da narrativa” se desenrola para silenciar a barbárie em Gaza. O “efeito global de dissuasão total” celebrado por esses analistas não passa de uma ameaça velada a quem ousar desafiar a hegemonia de Israel e seus aliados.
O que se aplaude aqui não é um avanço para a paz, mas a capacidade de um regime de atacar impunemente, com o aval tácito de potências ocidentais, enquanto a comunidade internacional segue de olhos fechados para os crimes de guerra que acontecem ali ao lado. O louvor à “sofisticação” de um ataque que mira em infraestruturas e vidas, sem sofrer perdas próprias, é um retrato macabro de uma humanidade que parece ter perdido a bússola moral.
A Frente Livre não se cala diante dessa narrativa militarista. A única operação que interessa é aquela que traga justiça social, paz e o fim da opressão para todos os povos. O resto é propaganda de guerra para consumo de quem lucra com o sangue.






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