Dólar
R$ 4.96 Desceu
Euro
5.804 Desceu
Brasília
23°C 26°C 17°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

VIDA

Revelado o plano macabro contra indígenas e sem-terra

Fórum de milícia rural expõe táticas para reprimir povos tradicionais, com incitação à violência e ataques à democracia

Um fórum chocante em Ilhéus, Bahia, revelou as entranhas de um grupo paramilitar que se disfarça de “movimento de produtores rurais” para combater indígenas e sem-terra. O Movimento Invasão Zero (MIZ), sob investigação da Polícia Federal por atuar como milícia rural, defendeu abertamente ações ilegais de despejo, destruição de acampamentos e incitação à violência, mostrando sua face mais brutal e antidemocrática. Em meio a discursos de ódio, deputados federais do PL não hesitaram em vomitar frases como “bandido bom é bandido morto” e taxar movimentos sociais como o MST de “organização criminosa” e indígenas de “falsos índios”. Tudo isso enquanto ignoravam o assassinato da líder Nega Pataxó, um crime bárbaro atribuído a fazendeiros ligados ao próprio grupo.

Esse evento não é apenas um fórum; é uma plataforma para o ódio e a ilegalidade, uma articulação que visa deslegitimar a luta por direitos e a própria existência de povos tradicionais e camponeses. A relevância dessa notícia reside na escalada da violência no campo e na ameaça direta à democracia brasileira. O Invasão Zero não só incita a violência física, mas também orquestra uma ofensiva legislativa no Congresso, com 38 projetos de lei que criminalizam movimentos sociais e buscam legalizar a repressão. A tentativa de maquiar suas ações como “legais” e a estratégia de manipular a opinião pública através de uma “guerra de narrativa” – como ensinado por deputados-advogados – expõem a hipocrisia e o cinismo desse movimento. O silêncio em relação a crimes como o de Nega Pataxó, enquanto se celebra a soltura de seu assassino confesso, escancara a impunidade que alimenta essa barbárie.

Deputador federal Marcos Pollon (PL-MS) foi um dos convidados. Advogado atuante em casos de disputa por terra, o parlamentar deu conselhos sobre como evitar problemas judiciais (Foto: Reprodução/Youtube)

O roteiro da violência e a trama da impunidade

O Fórum Nacional do MIZ, ocorrido em um hotel luxuoso em Ilhéus, serviu como palco para a radicalização do discurso ruralista. A presença de fazendeiros, vereadores, deputados estaduais e federais no evento demonstra o enraizamento político do grupo. As declarações foram além da simples retórica, com estratégias claras para evitar provas nas ações de violência, como a orientação para que produtores evitem postagens “beligerantes” nas redes sociais. Essa tática revela a consciência da ilegalidade de suas práticas e a tentativa de blindar seus membros de consequências jurídicas. A distinção entre direito à propriedade e direito à vida foi distorcida para justificar o uso de força “não letal”, ao mesmo tempo em que se elogiavam ações de queima e despejo violento.

A omissão do assassinato de Nega Pataxó durante as mais de quatro horas de evento é um símbolo gritante da desumanização promovida pelo Invasão Zero. A líder indígena foi morta a tiros em janeiro de 2024, em uma ofensiva atribuída a cerca de 200 fazendeiros com participação de policiais militares. A celebração da liberdade de José Eugênio Fernandes Amoedo, filho de um fazendeiro e autor confesso do disparo, pelo fundador do MIZ, Luiz Uaquim, é um tapa na cara da justiça e da memória de Nega Pataxó. Essa atitude, somada à declaração da coordenadora nacional, Dida Souza – que chamou indígenas de “falsos” e acusou-os de “acabar com a Bahia” -, reforça o caráter racista e genocida do movimento. O histórico de 32 mortes violentas do povo Pataxó Hã-hã-hãe desde 2012 é uma prova irrefutável da violência sistemática que atinge esses povos.

A Polícia Federal investiga o Invasão Zero sob suspeita de formação de milícia rural, e o Ministério Público Federal aponta indícios de um “esquema paramilitar financiado por grandes latifundiários”. Relatórios da Defensoria Pública da União e da CPT (Comissão Pastoral da Terra) corroboram essas denúncias, comparando o MIZ à antiga e violenta União Democrática Ruralista (UDR). As táticas de agitação, desinformação e deslegitimação de direitos indígenas são o modus operandi desse grupo, que, segundo o MST, tem membros infiltrados em prefeituras, assembleias legislativas, Congresso e forças policiais.

A ofensiva legislativa, com 38 projetos de lei que visam criminalizar movimentos sociais, impedir o acesso a benefícios sociais e até permitir despejos sem ordem judicial, demonstra a intenção de institucionalizar a repressão e a violência no campo. O plano Alerta Rural, que inclui botão de pânico e geolocalização para “antecipar ações terroristas do MST”, é mais um exemplo da paranóia e da criminalização dos movimentos sociais.

Para completar o cenário de hipocrisia, a coordenadora nacional do grupo, Dida Souza, que se apresenta como defensora da legalidade, acumula uma dívida milionária de R$ 25,9 milhões com a União. A desculpa de que “dever não é crime, crime é invadir propriedade” é a cereja do bolo de cinismo.

A relatora da ONU, Mary Lawlor, classificou o movimento como “desprezível” e alertou para a intensificação dos ataques, pedindo que o governo Lula aja com mais rapidez na demarcação de terras e na responsabilização dos crimes. Enquanto isso, o CNDH criou um Grupo de Trabalho para investigar a violência e a criminalização contra movimentos sociais no campo, focando em grupos como o Invasão Zero. A Frente Livre segue de olho e no combate, denunciando cada passo desses arautos da morte.


[O MIZ e a Sombra da UDR]

O Movimento Invasão Zero (MIZ) resgata a tenebrosa herança da União Democrática Ruralista (UDR), grupo paramilitar que aterrorizou o campo brasileiro nas décadas de 1980 e 1990. Assim como a UDR, o MIZ se utiliza da retórica da “defesa da propriedade” para justificar a violência contra trabalhadores rurais e povos indígenas. Ambas as organizações compartilham a tática de agitação, desinformação e a busca por influência política e legislativa para legalizar a repressão e a criminalização dos movimentos sociais. A “nova roupagem” do ruralismo apenas atualiza as ferramentas de comunicação, mantendo a mesma essência de ódio e violência contra aqueles que lutam por terra e justiça. A história nos mostra que a impunidade de ontem alimenta a barbárie de hoje.


Fonte: Repórter Brasil

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57