O Irã deu mais um passo na escalada nuclear ao aprovar nesta quarta-feira (25) a suspensão total da cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em retaliação aos recentes ataques de Israel e EUA às suas instalações nucleares. A decisão, anunciada pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, proíbe inspeções internacionais e o envio de relatórios técnicos até que o país obtenha “garantias de segurança” contra novos ataques – medida que especialistas alertam poder isolar ainda mais o Irã e acelerar uma possível corrida nuclear no Oriente Médio.
A ruptura ocorre em meio a acusações mútuas: Teerã alega que a AIEA atuou como “instrumento político” de Washington e Tel-Aviv para justificar os bombardeios a Fordow, Natanz e Esfahan, enquanto Israel e EUA insistem que o programa nuclear iraniano representava “ameaça iminente”. Com a suspensão, perde-se o último mecanismo de monitoramento independente sobre as atividades nucleares do Irã – justamente quando a região vive sua maior crise em décadas, alimentando temores de que o país possa buscar a bomba atômica como dissuasão, seguindo o exemplo de potências nucleares não signatárias do TNP, como Israel.
Decisão radical
O Irã oficializou a ruptura, proibindo:
- Inspeções em suas instalações nucleares
- Envio de relatórios técnicos à agência
- Acesso de inspetores internacionais
A justificativa: “A AIEA atuou como braço de Israel e EUA para justificar os ataques”, afirmou o presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf.
Condições para voltar à mesa
Teerã exige, para retomar a cooperação:
- Garantias de segurança para cientistas e instalações
- Respeito ao direito de enriquecer urânio (Artigo IV do TNP)
- Processo contra o diretor da AIEA, Rafael Grossi
“Não aceitaremos mais humilhações sob o pretexto de fiscalização”, declarou Ebrahim Rezai, porta-voz do Comitê de Segurança.
Cenário explosivo
A medida é resposta direta aos ataques de 21/06, quando:
- EUA bombardearam Fordow, Natanz e Esfahan
- Israel já havia atacado alvos nucleares em 13/06
Especialistas alertam:
“Isso pode empurrar o Irã para buscar a bomba”, avalia Ronaldo Carmona (ESG), citando o fracasso do TNP em promover o desarmamento global.
[O jogo duplo nuclear]
{} Irã: Mantém programa declarado (sem provas de armamento)
{} Israel: Tem ~90 ogivas não declaradas (não assina TNP)
{} EUA: Usaram relatórios contraditórios para justificar ataques
Próximos passos
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AIEA: Deve convocar reunião de emergência
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ONU: Pressão por novas sanções contra Irã
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Cenário negro: Possível corrida nuclear regional
Fonte: Agência Brasil






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