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BRASIL

Presidente da Câmara ignora clamor popular por impostos nos super-ricos

Enquanto Hugo Motta celebra veto a aumento de IOF e fala em "sintonia com o Brasil", pesquisas revelam que 8 em cada 10 brasileiros querem taxar os super-ricos

A Câmara dos Deputados, sob a batuta do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), se vangloria de uma “pauta produtiva” e “sintonizada com a população”, celebrando a derrubada do aumento do IOF para “evitar o aumento do Estado”. A retórica é de alívio fiscal e desburocratização, mas a Frente Livre, com os dados na mão, questiona: com qual Brasil exatamente estariam os deputados sintonizados? Enquanto o Congresso age para blindar o capital, o clamor popular por aumento de impostos sobre os super-ricos para financiar serviços essenciais e combater a desigualdade social é ignorado de forma vergonhosa.

A relevância dessa contradição é cristalina: vivemos em um país que, historicamente, penaliza os mais pobres com uma carga tributária regressiva, enquanto os grandes detentores de riqueza patinam na isenção. A afirmação de Motta de que o Congresso “dialoga com o Brasil” ao derrubar o IOF – um imposto indireto que atinge a todos – é uma cortina de fumaça para a recusa em discutir uma tributação progressiva. Pesquisas recentes da Oxfam Brasil/Datafolha (2020) indicam que 84% dos brasileiros defendem o aumento de impostos para os super-ricos, e dados da Ipsos (2024) e de outras pesquisas recentes (Datafolha, 2025) corroboram essa tendência, mostrando que mais de 70% da população apoia essa medida.

O golpe está aí 

O que o Hugo Motta está repetindo é o argumento tagarelado há dias pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) nas redes sociais. Esse parlamentar chamou o IOF de “Imposto sobre Oprimidos Financeiramente”, alegando que “ninguém vê, mas todo mundo paga ? principalmente o mais pobre”. E, passando batom na mentira, ainda descreve: “o consumidor que compra a geladeira em 12 vezes paga IOF nas parcelas” ou “a pessoa que compra a blusinha na Shein paga IOF nas compras importadas”.

Trata-se de uma manipulação descarada. Embora o IOF incida sobre algumas operações de crédito e câmbio, a proporcionalidade do imposto é claramente progressiva neste pacote do governo Lula. Ou seja, penaliza cada vez mais ou mais ricos.

Por exemplo, se alguém compra uma blusinha na Shein por R$ 30, a compra só seria taxada se o produto viesse do exterior — em muitos casos nas plataformas de compra chinesas, como a Shein, as vendas já são nacionais. Mas, mesmo assim, se fosse taxada, a pessoa pagaria a alíquota de 3,5%. Isto é, a blusinha passaria de R$ 30 a R$ 31,05. 

Já um milionário que faz uma remessa de US$ 50 mil (ou R$ 274,5 mil no câmbio atual) para uma conta no exterior, passa a pagar R$ 8,2 mil de imposto. Antes pagava 1%, ou seja, R$ 2,7 mil.  

O pobre pagaria R$ 1,05 a mais na blusinha da Shein. O rico pagaria R$ 5,5 mil a mais na remessa para o exterior. 

Foi isso que a Câmara e depois o Senado derrubaram ontem. 

A Farsa da “sintonia” e a blindagem dos mais ricos

Hugo Motta festeja a “construção suprapartidária” que barrou o aumento do IOF, afirmando que isso evita o “aumento do Estado”. No entanto, a verdadeira face do “aumento do Estado” que a população quer combater é a do Estado mínimo para os serviços públicos e máximo para a manutenção dos privilégios dos super-ricos. Quando 8 em cada 10 brasileiros clamam por taxação dos grandes lucros e fortunas, não estão pedindo mais imposto para o trabalhador, mas sim um sistema tributário mais justo e equitativo. A aprovação da MP 1291/25, que concede recursos para habitação através do excedente do petróleo (sem aumentar imposto, ele faz questão de frisar), e o PL 2692/25, que garante isenção de Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos, são, sim, medidas pontuais importantes para a base da pirâmide. Mas elas não podem servir de álibi para a omissão na hora de confrontar a alta concentração de renda no topo.

A prioridade do Congresso, liderado por Motta, parece ser a manutenção de um sistema que favorece os que mais têm. A derrubada do IOF é um exemplo claro de como a “maioria expressiva” no parlamento se move para proteger interesses específicos, enquanto ignora o anseio por justiça fiscal. Não se trata de “aumentar o Estado”, mas de redefinir quem paga a conta do Estado. Para o povo, a resposta é unânime: quem deve pagar mais são os super-ricos, para financiar educação, saúde, moradia e reduzir as abissais desigualdades que nos assolam.

A retórica de “sintonia com a população” do presidente da Câmara, quando confrontada com a realidade das pesquisas de opinião, se revela um absurdo inaceitável. É um discurso que tenta mascarar a verdade e manipular a percepção pública. A população brasileira sabe que o desenvolvimento do país passa por uma reforma tributária justa, que onere os que podem e alivie o peso sobre os trabalhadores e os mais pobres.

[Retórica da Câmara X Vontade Popular]

Aspecto

Discurso de Hugo Motta (Presidente da Câmara)

Pesquisas de Opinião Pública (População Brasileira)

Pauta Prioritária

Evitar “aumento do Estado” e “aumentar imposto” (celebrando derrubada do IOF).

Aumento de impostos para super-ricos para financiar serviços essenciais.

Visão da Sociedade

Congresso “sintonizado com a população” ao evitar aumento de impostos.

84% (Oxfam/Datafolha 2020) e 70-76% (Ipsos 2024/Datafolha 2025) apoiam taxação de super-ricos.

Responsabilidade Fiscal

Reduzir “aumento do Estado”, “ajudar governo sem aumentar imposto” (via petróleo).

Taxação progressiva para reduzir desigualdade e financiar políticas sociais.

Beneficiários

População geral (alívio do IOF, isenção IR baixa renda).

Foco nos super-ricos para beneficiar os mais pobres e serviços públicos.

Método de Financiamento

Venda de excedente do petróleo, sem aumento de imposto.

Impostos sobre grandes fortunas/lucros para arrecadação fiscal.

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