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GEOPOLÍTICA

Trump diz a Lula que café faz falta nos EUA

Norte-americano enfrenta pressão do Congresso diante da disparada dos preços nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu durante a conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o país “está sentindo falta” do café brasileiro, o principal produto afetado pela tarifa de 50% imposta por seu governo.

O reconhecimento ocorreu durante a videoconferência, na qual o republicano reconheceu o impacto interno do tarifaço que elevou o preço da bebida em quase 40% no último ano e acendeu um debate no Congresso americano.

A videoconferência, que durou cerca de 30 minutos, foi descrita pelo Palácio do Planalto como “amistosa” e representou um passo na tentativa de reconstrução das relações entre os dois países após meses de atrito comercial.

Durante a conversa, Trump reconheceu que as tarifas impostas contra o Brasil vêm gerando impactos internos nos Estados Unidos e afirmou que o país “está sentindo falta” de alguns produtos brasileiros, com destaque para o café. 

O republicano admitiu que o aumento de preços se tornou insustentável e que o tema passou a mobilizar também o Congresso norte-americano.

Segundo fontes do governo brasileiro, o contato foi solicitado pelo lado norte-americano. 

Lula aproveitou a ocasião para solicitar a retirada das sanções impostas a autoridades brasileiras, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, e reiterou o convite para que Trump participe da COP30, em Belém (PA). 

Os dois líderes discutem a possibilidade de um encontro presencial ainda neste ano, durante a Cúpula da ASEAN, na Malásia, ou no próprio evento climático.

Em nota, o Planalto destacou que a conversa serviu para “restaurar as relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente”. 

Do lado brasileiro, participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Fernando Haddad, Mauro Vieira, Sidônio Palmeira e Celso Amorim. Trump, por sua vez, designou o secretário de Estado Marco Rubio para dar continuidade às negociações com a equipe econômica brasileira.

Tarifa sobre o café eleva custo de vida e gera reação em Washington

O aumento do preço do café nos Estados Unidos tornou-se símbolo da crise provocada pelo tarifaço de Trump. Dados do Escritório Americano de Estatísticas indicam que o produto subiu 3,6% em agosto — nove vezes mais do que a inflação média mensal — e acumula alta anual de 20,9%, a maior desde 1997. 

Já o contrato de referência internacional registrou aumento de 38,7% em 12 meses, segundo a Forbes.

Diante do encarecimento generalizado, congressistas republicanos e democratas uniram forças para tentar reverter a medida. Os deputados Don Bacon (Partido Republicano, Nebraska) e Ro Khanna (Partido Democrata, Califórnia) apresentaram o projeto “No Coffee Tax Act”, que revoga imediatamente as tarifas sobre o café, com efeito retroativo a janeiro de 2025.

“Famílias em todo os EUA estão sentindo o peso do aumento dos preços do café, que já subiram 21%. Tarifar um produto que não podemos cultivar em escala comercial apenas piora a situação”, disse Bacon. 

“Os americanos começaram uma revolução por causa de um imposto sobre o chá. Os preços do café aumentaram em parte pelas tarifas de Trump. Se você bebe café toda manhã, como não ficar irritado com isso?”, disse Khanna, fazendo referência à Revolução Americana.

Dependência do café brasileiro expõe limites do protecionismo

Os efeitos do tarifaço se intensificam porque o café não é produzido em escala comercial nos Estados Unidos. Apenas o Havaí — o único estado situado no Cinturão do Café — cultiva o grão em volume modesto, responsável por menos de 1% da produção mundial. 

As pequenas plantações em Porto Rico e no sul da Califórnia não são capazes de abastecer o mercado doméstico.

O Brasil, por outro lado, responde por cerca de um terço de todo o café consumido nos EUA e por 44% da produção mundial de café arábica, a variedade mais valorizada. A Colômbia, segundo maior fornecedor, colhe menos de um terço da produção brasileira, o que torna “quase impossível” substituir o café nacional, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Desde a entrada em vigor da tarifa de 50%, as exportações brasileiras de café para os EUA caíram 47% em volume e 31,5% em valor, somando US$ 113,8 milhões em setembro. 

O impacto foi determinante para que a balança comercial brasileira registrasse déficit de US$ 1,77 bilhão com os EUA e para que o superávit global do Brasil encolhesse 41% no mês.

Para analistas ouvidos pela Fox Business e pela CNN, a combinação de tarifas e problemas climáticos nos principais produtores ameaça prolongar o ciclo de alta nos preços e consolidar o erro estratégico de Washington. 

“A tarifa de 50% do governo Trump sobre o Brasil agrava as interrupções no fornecimento causadas pelo clima nos países produtores”, resumiu a Fox Business, emissora aliada do trumpismo.

Café vira tema político e cultural nos EUA

Mais de 66% dos adultos americanos consomem café todos os dias — cerca de três xícaras por pessoa —, o que faz do produto a bebida mais popular do país. O setor movimenta US$ 68 bilhões por ano em cafeterias e redes de varejo. Esse peso econômico transformou o café em tema político.

“Tarifas são simplesmente um imposto sobre os consumidores americanos”, afirmou Bacon ao defender o projeto que retira o imposto. “Nosso projeto bipartidário é simples: ele remove as tarifas de Trump sobre o café para reduzir os custos”, completou Khanna.

A repercussão do “No Coffee Tax Act” reflete um raro consenso em Washington. Ao mesmo tempo em que a Suprema Corte analisa a legalidade das medidas tarifárias, o próprio governo Trump tenta ajustar as regras. 

Em 5 de setembro, o presidente incluiu o café em uma lista de “recursos naturais indisponíveis” que podem ser isentos de futuras tarifas recíprocas, sem, contudo, retirar a cobrança em vigor.

O gesto sinaliza que o governo americano reconhece o impasse criado pelo tarifaço. A tarifa que pretendia pressionar o Brasil se transformou em problema doméstico, elevando o custo de vida e forçando o Congresso a desafiar a Casa Branca em defesa da bebida que os Estados Unidos não conseguem produzir.

Fonte: Portal Vermelho

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